Bicicletada Curitiba
-
BICICLETADA EM CURITIBA, dia 27 de fevereiro (sábado) de 2010
Como de praxé, mas nunca é demais lembrar, no último sábado do mês, acontece a Bicicletada de Curitiba.
Então neste sábado dia 27 de fevereiro de 2010, às 9h30min, no pátio da Reitoria da UFPR, Rua XV de Novembro, 1299; traga sua alegria, seu entusiasmo, seu protesto. Bicicletada, movimento sem líderes e sem liderados, organização espontânea em prol de um bem comum. Injustificável, é não pedalar; Indescupável, é não participar !
Então, pare de ser um “reclamão” que nunca faz nada ! Faça, aconteça e participe das mudanças, ou você prefere esperar que a fumaça caia do céu ?
Fortaleza TEM projeto que prioriza Bicicletas
De autoria do vereador João Alfredo (Psol), o projeto de lei 0189/2009, dispõe sobre a criação de um Sistema Cicloviário no Município de Fortaleza. Bem detalhado, contemplando todos os aspectos possíveis sobre o uso das bicicletas em meio ao trânsito urbano, o referido Projeto, bem como toda a ideia que orbita em torno do mesmo, pode ser encontrado em: http://www.campanhaumcarroamenos.rg3.net/
Enquanto nós em Curitiba, carecemos de pessoas que, com responsabilidade e consciência pública, façam valer a delegação – que o voto popular outorga -para o exercício da representação legislativa. Nossos vereadores são ótimos para distribuir títulos de cidadãos honorários, propor nome de rua e, de 4 em 4 anos distribuirem cestas básicas e promoverem “jantares de apoio”; garantindo votos na velha política do pão-e-circo e, nós pretensamente conscientes, o que fazemos para mudar este estado de coisas ? A organização espontânea (critical mass) é um excelente caminho, mas será que não podemos ser mais incisivos e atuarmos também noutras frentes ?
Escrito em Principal 1 Comentário
Segurança ao pedalar
Hoje fui repreendido. Não sem motivo. Um colega que raramente pedala, mas que sabe de meu ativismo ciclístico, disse ter me visto de dentro do ônibus. Coisa nada improvável, pois faço da canaleta e de suas marginais meu roteiro diário. Ele ao me encontrar falou da minha “imprudência”.
-Onde já se viu pedalar com fones de ouvido ?!?
Por um lapso fiquei calado, meio que assimilando o golpe, certeiro e correto. Dei toda a razão ao Jair. É mesmo perigoso pedalar em meio aos carros ouvindo música. Não adiantava eu querer redarguir afirmando que o volume estava baixo que, a todo instante estou olhando para trás, que a música não me desconcentra.
Bicicleta como meio de transporte, requer sim o máximo de atenção e cuidado e, tudo que possa dar causa a um eventual acidente, precisa ser evitado. Os pequenos detalhes, são sempre eles quem fazem as Grandes diferenças. Óbvio que, passeando, no meio do mato, num lugar pacato e tranquilo; tanto quanto o ar é imprescindível para os pulmões- para mim- a música o é para os ouvidos.
Não parei por aí. Cheguei em casa e fui atrás de coisas mais que falassem sobre segurança ao pedalar. Encontrei este texto(Pedalar noTrânsito) bastante completo e interessante na Escola de Bicicleta.
Pra lá de longe, de querer ser moralista, “educador” ou coisa que o valha, faço de todas estas palavras, dicas para o uso das magrelas. Inclusive, hipocritamente, acredito que vou continuar escutando músicas ao pedal, só que beeeeeeeeeeemm baixinho !
Escrito em Principal 2 Comentários
Manual Prático de Resistência Civil
Este excelente texto de Marcelo Chagas, que há pouco tomei conhecimento, foi um presentaço de tamessativa que eu encontrei aqui na Bicicletada.
Gostaria então de compartilha-lo com o maior número de possoas possível. Com certeza, há muitas questões polêmicas e discutíveis, porém, a ideia central do texto é por demais instigante e de causar profundas reflexões.
Ao final da leitura, a primeira coisa que imaginei, foi a continuação deste mesmo trabalho, com uma foto e a descrição do que acontece aqui em nossa realidade e, que está muito ao nosso alcance – de intervir e participar -, A BICICLETADA !
“Deve o cidadão desistir de sua consciência, mesmo que por um único instante ou em última instância, e se dobrar ao legislador ? Por que então estará cada homem dotado de uma consciência ? Na minha opinião devemos ser em primeiro lugar homens, e só então súditos. Não é desejável cultivar o respeito às leis no mesmo nível do respeito aos direitos. A única obrigação que tenho direito de assumir é fazer a qualquer momento aquilo que julgo certo.” extrato de “A desobediência civil de Henry Thoreau – pág. 37
“A desobediência civil é um direito intrínseco do cidadão. Não ouse renunciar, se não quer deixar de ser homem. A desobediência civil nunca é seguida pela anarquia. Só a desobediência criminal com a força. Reprimir a desobediência civil é tentar encarcerar a consciência.” Mahatma Gandhi
Como abertura da nova seção temática da Revista Critério, trazemos um convite à reflexão sobre a dinâmica entre a esfera legislativa do direito, e as performances políticas, em torno e fora da legalidade, que atuam em relação às novas demandas que surgem no avanço do atual modo de produção e consumo globalizado. É senso comum a percepção de que as leis se reformam e se criam numa velocidade muito menor que as transformações sociais, naturais e tecnológicas. Um novo tema de discussão, ou uma nova prática social deve passar por um lento e complexo trâmite político e cultural ao adquirir um caráter normativo. Num regime democrático, a via legal busca por um consenso discursivo, mesmo que provisório. Paralelamente, as lutas e manifestações de grupos menores e mais articulados, em torno da identidade de abordagem quanto aos temas, procura convencer e, por vezes, confrontar a opinião pública e a lei vigente.
Mais do que reivindicar direitos, reconhecidos enquanto tais, esses grupos definem situações ainda não pensadas como fundamentais para a vida individual e coletiva. As profundas transformações do chamado “Mundo Moderno” trouxeram consigo a desestabilização das normas tradicionais de convívio, e também a produção de novos bens, materiais e imateriais, que precisavam ser compartilhados com justiça. Se por um lado, as instâncias responsáveis pelo direito legal defendiam um mundo já não mais existente, através de leis que representavam antigos privilégios, por outro, essa mesma autoridade da lei e de seus instrumentos seria posta em dúvida. A lei opera e define um espaço circunscrito de ordem civil. É a maneira pela qual o poder delimita as margens de ação do indivíduo e de grupos. Quem exerce a mediação desse poder e materializa esse espaço de ordem são as instituições sociais, como a família, escola, partidos, igrejas, etc. Nesses espaços de interação programada, a transgressão e o não-cumprimento de normas são punidos rigorosamente com medidas disciplinares sobre o corpo e com a restrição de movimento, dentro e fora das fronteiras sociais.

John Lennon e Yoko Ono – Bed inn
Ao longo do século XX, vimos diversos exemplos de resistência e desobediência civil, que nos levaram a um outro estágio das discussões democráticas sobre a autonomia do indivíduo na sociedade moderna, e o próprio fundamento generalizante sobre o qual as leis são escritas. Grandes causas como a independência de Nações, fim de guerras, tornaram políticos, artistas, religiosos em símbolos do sacrifício pela consciência e tomada de posição. A própria idéia de que um cidadão comum pode se tornar uma fronteira do direito a ser defendida engajou milhares de pessoas no mundo inteiro. O pós-guerra trouxe uma nova escala para o ativismo político, com a derrocada dos colonialismos na África, Ásia e Oriente Médio. O apelo da auto-determinação dos povos, tão profundamente clamados por personagens como Che Guevara, Golda Meir, Ho-chi-Mihn, Sartre entre outros, ainda ecoa nas causas palestinas, tibetanas e chechenas.
Se para os exércitos só existiam duas fronteiras, de cada lado da cortina, para as pessoas no interior de cada regime, o olhar pousava sobre as contradições internas de cada ideologia. Gulags, caça às bruxas, golpes patrocinados, desaparecimentos respondiam aos anseios de liberdade de cada lado do muro. O diálogo, a reunião, a poesia se tornam atividades marginais e suspeitas. Para muitos o exílio seria uma dolorosa alternativa de sobrevivência. Grande parte da descreça contemporânea em relação às utopias políticas está na transformação dessas promessas de igualdade, liberdade e fraternidade em uma histeria coletiva em torno do poder totalitário. Isso sem contar que em um império de “iguais”, alguns são mais iguais que outros. Os contornos dos regimes revolucionários e imperiais sempre desenham mapas de dominação arbitrários, contendo uma enorme diversidade étnica, de culturas, línguas e crenças. O início deste século herda os conflitos dos deslocamentos e da reunião de enormes massas étnicas.

Monge Budista Thich Quang Duc ateia fogo ao próprio corpo em protesto à Guerra do Vietnam 1963
O discurso de “tutela”, que as Nações colonialistas pregavam para justificar sua dominação, tinha implícito o veredicto de que os povos subjulgados não tinham condições de se auto-gerir sem a presença colonial. Barbárie, infância, preguiça, atraso: foram adjetivos para descrever a incapacidade de povos reunidos arbitrariamente sob força de armas e bloqueios comerciais. Formado em Direito em Londres, Gandhi conhecia os hábitos e costumes ingleses, mas não abria mão de suas próprias origens culturais, participando de solenidades e reuniões formais com o tradicional traje hindu e descalço. Uma de suas famosas frases resume sua atitude: “Não quero minha casa murada de todos os lados, nem janelas fechadas. Quero que as culturas de todas as nações soprem por toda a minha casa o mais livremente possível. Mas nego-me a ser carregado por qualquer uma delas.” E ainda:
“Nada mais longe do meu pensamento que a idéia de fechar-me e erguer barreiras. Mas afirmo, com todo respeito, que o apreço pelas demais culturas pode convenientementemente seguir, e nunca anteceder, o apreço e a assimilação da nossa. (…) Um aprendizado acadêmico, não baseado na prática, é como um cadáver embalsamado, talvez para ser visto, mas que não inspira nem nobilita nada. A minha religião proíbe-me de diminuir ou desprezar as outras culturas, e insiste, sob pena de suicídio civil, na necessidade de assimilar e viver a vida.”
Nos contextos multiculturais das metrópoles globalizadas, a idéia de direito, que antes conjugava o sentido de moral e valores compartilhados de forma homogênea, é ultrapassada pela necessidade de convivência de matrizes culturais diversas, e por vezes, antagônicas, em um mesmo espaço de soberania legal. Os trânsitos culturais através do globo resultam na impossibilidade de uma redução a uma unidade mínima e homogênea de cidadania política, a não ser o de uma certa humanidade abstrata constrangedora. Essa pressão do múltiplo, por outro lado, alimenta o ato criativo necessário para uma nova consciência de vizinhança e solidariedade.

Mahatma Gandhi – Roda de Fiar
Por outro lado, um foco tão poderoso quanto de ativismo foi a luta pelos direitos civis e o feminismo, na década de 60. Ambos movimentos criaram novas estratégias de luta contra os principais territórios de discriminação e opressão: gênero e raça. Além dos confrontos e debates inevitáveis, iniciaram uma descontrução discursiva das práticas sociais e institucionais construídas sobre esses estereótipos. A normalidade da vida cotidiana foi questionada nos mais fundamentais papéis, funções e significações. A cultura do senso comum foi severamente denunciada como suporte de disseminação de idéias falsas sobre a incapacidade e inadequação das mulheres e das minorias étnicas. Da Cabana do Pai Tomás à Cinderela, a reprodução desses clichés garantia a continuidade dos hábitos que os movimentos procuravam terminar. Deve-se atentar que não se trata apenas de um erro de opinião, ou ingenuidade, a base social do preconceito, senão uma estratégia discursiva de poder e opressão articulada. Martin Luther King, em seu discurso no Lincoln Memorial, joga luz sobre o fundamento mais profundo do orgulho democrático americano, do american way of life:
“De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo americano seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os homens, sim, os homens negros, como também os homens brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis de vida, liberdade e a busca da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada, a América deu para o povo negro um cheque sem fundo, um cheque que voltou marcado com “fundos insuficientes”. “

Martin Luther King, aos 27 anos, preso durante os boicotes aos ônibus em Montgomery – Alabama.

Marcha feminista liderada por Betty Friedman – 1971.
Mais especificamente o movimento feminista alastrou a batalha para o interior dos departamentos de Ciências Humanas e Literatura das universidade americanas. A presença de um cânone de razão e discurso machistas orientavam a leitura dos conceitos e estratégias do pensamento ocidental em torno da figura mítica do “Homem”. Um clássico da literatura feminista é “O Segundo Sexo” de Simone de Beauvoir – em dois momentos: “Os fatos e mitos” e “A experiência vivida”. Com a máxima “Ningúem nasce mulher: torna-se mulher.” Beauvoir rebate a provocação de Lacan, de que a mulher não existe e de que a mulher sofre com uma inveja do pênis, para afirmar: “Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o feminino.”. E ainda reverte a equação da dominância masculina: “Muitos meninos, assustados com a dura independência a que são condenados, almejam então ser meninas; nos tempos em que no início os vestiam como elas, era muitas vezes com lágrimas que abandonavam o vestido pelas calças, e viam cortar-lhes os cachos.”
E Beauvoir não pára na contenda com a psicanálise, e avança sobre a literatura e economia:
“Um romance alemão, A Moça em Seda Artificial, de I. Keun, conta a paixão de uma moça pobre por um casaco de petegris; aprecia-lhe com sensualidade o calor acarinhante, a ternura forrada; sob as peles preciosas é a si própria transfigurada que ama; possui enfim a beleza do mundo que nunca abraçara e o destino radioso que nunca fora o seu. (…) Sendo a mulher um objeto, compreende-se que a maneira pela qual se enfeita e se veste modifica seu valor intrínseco. Já não é mais pura futilidade se dá tamanha importância à meia de seda, às luvas, ao chapéu: sustentar sua posição é uma obrigação imperiosa. Nos Estados Unidos, uma enorme parte do orçamento da trabalhadora é consagrada aos cuidados com a beleza e os vestidos; na França esse fardo é menos pesado; entretanto, a mulher é tanto mais respeitada quanto melhor “representa”.

Simone de Beuavoir
Uma sociedade constituída da coleção de representações e estereótipos que controlam e determinam os lugares mais íntimos da subjetividade do indivíduo foi o palco da luta, por exemplo, de Michel Foucault, Gilles Deleuze, Félix Guattari entre outros filósofos nas décadas de 70 e 80. A reflexão acontece em relação à pressão do público sobre o privado, através da crítica aos aparelhos sociais de censura, controle e poder; micro-articulações narrativas, conceituais e performáticas que constróem o aceitável e o inaceitável na vida pública cotidiana. Os movimentos anti-manicomiais, pelo homossexualismo, pela dignidade nas prisões, são instrumentalizados por novas práticas de comunicação, busca de meios de expressão autônomos. Em diálogo com Foucault, Deleuze comenta: “Quando você (Foucault) organizou o G.I.P. (Grupo de Informação Prisões) foi baseado nisto: criar condições para que os presos pudessem falar por si mesmos. (…) Não existe mais representações, só existe ação: ação de teoria, ação de prática em relações de revezamento ou em rede.”. E Foucault responde: ” E quando os prisioneiros começaram a falar, viu-se que eles tinham uma teoria da prisão, da penalidade, da justiça. Esta espécie de discurso contra o poder, esse contra-discurso expresso pelos prisioneiros, ou por aqueles que são chamados de delinqüentes, é que é o fundamental, e não uma teoria sobre a delinqüência.”

Passeata do Dia da Liberação Gay.
Esse seqüestro do real pela teoria, e pela indústria cultural, que a partir desse momento se tornava quase onipresente, é seguido por uma série de “recuperações”; reconstituições dessa realidade no interior do sistema de poder vigente. O situacionista Guy Debord, no mesmo ambiente pós-Maio de 68, já antecipava uma nova fronteira de confronto, em uma sociedade do espetáculo. Debord analisa uma espécie de “esfriamento” das sociedades industrializadas, fruto de um excesso estruturador por parte das instituições e práticas sociais organizadas. Esse esfriamento traz uma sensação de acomodação histórica, de naturalização de um cotidiano conformista e paciente das revoluções tecnológicas e espetaculares. A capacidade dos meios audio-visuais de apresentar opções de espelhamento “pret-à-porter” e formas programadas de interatividade virtuais dão a impressão ao público midiático de negociar e até reestruturar os sistemas de organização econômica, política e comunicativa.
Uma vez que as formas de representação política e do trabalho, originadas pelo paradigma marxista, sofreram o duro golpe da “Queda do Muro” em 1989, conceitos como “luta de classes”, “proletariado”, “alienação” tiveram que percorrer um longo caminho de readequação às novas formas de produção, trocas simbólicas e consumo. A inexistência de uma trincheira alastrou o combate por todos os lados, e a figura do “inimigo do povo” se tornou cada vez mais fantasmagórica. Os caminhos tortuosos da exploração do trabalho globalizado e do capital volátil da especulação financeira tornaram mínimas as condições dos Estados em regular o domínio econômico, e conseqüentemente trazer um equilíbrio na relação produção/capital/trabalho/divisão social. Até o mapeamento ideológico dos partidos, antes distribuídos em direita, esquerda e centro, de acordo com as diversas cartilhas de alinhamento político e econômico, hoje, esvaziado em termos práticos, não mais orienta o caminho social a se seguir. O que não impossibilita que “dinossauros” saiam dos armários, ostentando os jaquetões verde-musgo, e embalando os desfiles militares “à la Krushev”, como numa espécie de parque-temático de mau gosto.

Filme “Societé de Spetacle” de Guy Debord.
Foi apostando no imobilismo, na rendição e na falta de criatividade teórica e política que diversas ideologias de sociedades pós-históricas e pós-políticas surgiram. Estamos longe de um ponto de chegada social, tampouco perto de um ponto aceitável. Evolucionismos, pragmatismos e idealismos políticos soam como indiferença perto do abismo de desigualdade e perversão dos círculos de poder. As metas inconseqüentes de crescimento de Países ditos “emergentes” escondem um “salve-se quem puder” de massas desempregadas, analfabetas e desculturalizadas. Impera nas fileiras de deserdados o canibalismo. Enfim, aqueles que declaram o fim da História e da Política trataram de se cercar de um cinturão de violência para preservar seus padrões de prosperidade.
Mais do que insistir na “justa divisão” do mundo, tornado mercadoria, a idéia é percorrer lugares fora dos rincões da ciência industrial e da sociedade de consumo. Muito embora a atenção esteja voltada para o direito de inserção no sistema de trocas comunicativas; lugar da mais-valia contemporânea, e na equiparação de oportunidades no mercado de trabalho, existem outras demandas urgentes. A prática da política hoje se divide entre reparar a má-distribuição e os excessos do poder econômico e militar, e a necessidade de imaginar lugares “fora” do controle, da vigilância e do consumo. A velocidade com que o mercado avança sobre os meios básicos de sobrevivência, para dali auferir novos lucros, requer um novo ativismo em direção daquilo que ainda não se tornou mercadoria. Valores e coisas como ar, tempo, privacidade, opinião estão cada vez mais assediados e comercializados.
Escrito em Principal Deixe um comentário
CURITIBA ESTÁ AFUNDANDO !
Avenida Winston Churchill, equina com rua Olindo Sequinel, um buraco de mais de um metro de diâmetro se abre num dos cruzamentos mais movimentados do bairro Pinheirinho.
Enquanto era apenas um derruba-ciclista, nenhuma providência se fazia necessária.
Agora que o buraco ficou, beemmm mais embaixo, literalmente falando; o poder público municipal se fez presente. Aí param o trânsito, enchem de placas “Curitiba em obras”, deslocam agentes do Diretran, enquanto as empreiteiras vão lá, para sugarem mais um pouco do erário. Estranho né ?!? Ganham horrores para fazer mal feito e, depois, ganham mais um pouco para refazerem a lambança. Enquanto isto a imprensa oficial do município (RPC e Gazeta do Povo, colocam a culpa naquela que não tem como se defender: as “excessivas chuvas”.
Como se, pela primeira vez na vida, chovesse tanto assim nesta época em nossa cidade. Engraçado que, para a região metropolitana, a culpa sempre é do Governo.
Escrito em Principal, Uncategorized Deixe um comentário




Curitiba: entre o discurso e a prática
Curitiba é um gritante exemplo disto. Tem a internacional fama de ser a “capital ecológica”, “cidade verde”, uma construção midiática, fundada e sedimentada pelo grupo do ex-prefeito Jaime Lerner que, até hoje comanda o executivo municipal. Aqui o “verde” foi a sacada genial de uma gestão tão inteligente quanto oportunista. Mas aqui o transporte público é feito exclusivamente com o mais polunte dos derivados dos hidrocarbonetos: o diesel. Aqui, temos a maior concentração de carros por número de habitantes. Aqui não temos um metro ou outra alternativa de transporte de massas que não seja os ônibus das oligarquias locais.
Enquanto isto…Ciclistas são multados, pelo simples fato de, num ato político, exigirem ciclofaixas. Ora, convenhamos, mobilidade urbana, opções intermodais, para além de discursos, deveriam ser as prioridades de uma gestão, deveras, comprometida com o planejamento urbano, fato que, infelizmente, na capital ecológica não acontece.
Talvez, eu é que não tenha entendido a metáfora. Curitiba é sim uma “Cidade Inovadora”, ela figura como destacado exemplo de gestão pública que segue, rigorosamente, a cartilha dos somíticos interesses do capital e, ao mesmo tempo, constrói no inconsciente coletivo local, o orgulho de morar e viver numa cidade tão “ecologicamente correta”.
***
Uma ótima sugestão de leitura é o trabalho de mestrado do professor Dennison de Oliveira: Curitiba e o mito da cidade-modelo, aqui ele aborda (e desconstrói), com rigor científico, o conceito de que Curitiba é uma cidade modelo.