A bicicleta e a fila do caixa

Foi num destes hipermercados que, pagam mal barbaridade seus funcionários e, curiosamente crescem e crescem à revelia de crises e tais. Nem cestinha eu havia pego, tava na mão mesmo uns comestíveis de última hora. Chegando próximo à fila dita “rápida” – só para cestinhas – vi que haviam muiiiiitos gentis à minha frente. Na minha pretensão de esperteza, percebi que haviam só 3 caixas operando para atender aquele povo todo e, correndo os olhos pelos caixas para carrinhos e outros espertalhões como eu, mais que depressa fui abduzido por um destes, onde uma única compra, já toda posta sobre o caixa começava a ser registrada. Malandraço ! Mais uma vez minha astúcia e raciocínio rápido me fariam chegar na frente.

Aí as coisas começaram a fazer sentido pra mim, neste mundo de meu Deus que eu cruzo de magrela pra cima e pra baixo. A operadora de caixa, desarmada de um auxiliar (comumente chamados de: pacoteiros), a cada 3 ou 5 itens registrados, conseguia se bater da mesma forma para abrir as – ecologicamente (in)corretas- sacolinhas oxidegradáveis. Comecei a ficar menos paciente e, de forma aflita, a observar que a fila de cestinhas ia de vento em popa. Mas o que me fez irar, foi a atitude da operadora que, mesmo não podendo ser qualificada como de uma inapta, era lenta, tranquila, calma de dar raiva. Eu tinha pressa, mil e um trabalhos, nesta vida de autônomo que tá sempre querendo ganhar um ($) a mais.

Eis que, a ficha caiu – ou, mais atual, o orelhão me comeu mais um crédito. Eu que de bicicleta, sempre reclamo e vocifero contra os “apressadinhos” que, de carro, estão por aí poluindo, congestionando, fechando-nos; tava naquele egoístico momento contrariando o que tenho por valor elementar. A moça do caixa, não precisa trabalhar como uma desesperada – pra que ? Eu, eu preciso realmente me abraçar a toda e qualquer oportunidade de me escravizar um pouquinho mais ao dinheiro e, ser chibatado pelos ponteiros do relógio ? Cadê o bicicleteiro que existe dentro de mim ?

Nem me embalei em aprofundar tal discussão interior, já a conheço de cor, só me falta aprender. Sorri pra moça do caixa, paguei pelas minhas compras e, agradeci, pela lição. Enchi a mochila e, zen, como um iniciado discípulo tibetano, saí assobiando pela canaleta.
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2 ideias sobre “A bicicleta e a fila do caixa

  1. Olá, Óscar. Obrigado pela visita. Gostei da proposta do teu blog e, vou sim, colocar um link para cá.

    Poderemos marcar alguns pedais agora que estou voltando a ativa.

    Um grande abraço e boa sorte!

  2. Não se culpe por esse tipo de reação. Num ambiente como os supermercados, criados por causa do e para o carro, a escala humana perde todo o sentido.

    1. Dezenas de caixas e um número muito maior de clientes inibindo qualquer contato humano verdadeiro

    2. Prateleiras com produtos trazidos de todas as partes do globo gerando um deslocamento absurdo e inviabilizando a produção local principalmente para os pequenos.

    3. Utilização excessiva de embalagens, plásticos e sacolas gerando um volume colossal de resíduos.

    Não é à toa que isso irrita as pessoas…

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