Bicicleta ou Barbárie !

Em São Paulo teremos a primeira prova de Fórmula Indy – ponto para o Serra. Em Curitiba, capital da 5a Província de São Paulo, não ficamos (muito) para trás, se tudo der “errado”, teremos a etapa do Cam­pe­onato Mundial de Carros de Turismo (WTCC), não no autódromo de Pinhais, mas sim pelas ruas da cidade – ponto para o Beto Binário.

Depois de comentar a postagem que foi oportunamente publicada na Bicicletada, me vieram inúmeras outras reflexões. Nossa “cultura” automobilística é um reflexo do tipo de sociedade em que vivemos, apressada, tecnicista, individualista e desumana.

O carro, satisfaz uma vontade primária do ser humano: chegar mais rápido,  chegar antes, “ganhar” tempo. Mas peraí, ganhar tempo pra que cara-pálida ? Para aproveitar mais a Vida, para ficar mais tempo com a família, com os amigos ? Acho que não…

O cartesianismo, o cientificismo, o poder e arrojo dos avanços tecnológicos, deslumbram as bestas-feras. Se precisar escolher entre 2 modelos de relógios – um resistente a 100 metros de profundidade e outro a 50 metros – inequivocamente, a pessoa que não mergulha além dos 2 metros que possa ter uma piscina, vai preferir o de 100 metros, é “melhor” é mais avançado. Carro então ?!? São tantos itens para me tornar uma pessoa mais sofisticada, mais elegante, mais potente, é como se fôssemos todos “Transformers” e, tanto “melhores” seremos, quanto mais poderes tiverem nossos opcionais. Já não sabemos mais quem é o apêndice de quem, (máquina x homem).

Quem pega ônibus é “pobre”, mal-sucedido, peão, doméstica e, infinitas outras classificações pra lá de preconceituosas. Quem pede carona, psicologicamente, é um constrangido – ao menos é assim que você precisa se sentir, é como se fosse uma declaração de inferioridade. Agora se você polui, congestiona, paga juros para exponenciar cada vez mais os lucros dos bancos multinacionais, aí você é “alguém” nesta Vida. Você entrou para o mundo de Marlboro, sem precisar chupar a chupeta do satanás ! Você personifica o He-Man, gritando: EU TENHO A FORÇA !!!

Agora, solidariedade, senso coletivo, não agressão ao planeta, socialização dos recursos e dos meios; são princípios que precisam ser postos à margem, esquecidos, “superados”, pois se os indivíduos começam a pensar, refletir e filtrar – um pouquinho  só que seja – as ideias que nos são “plantadas” na cabeça, vão começar a questionar o uso do automóvel, vão começar a exigir transporte público de qualidade ou, pior ainda, vão começar com estes atos de “algazarra” e “vandalismo” que chamam de Bicicletadas e, aí vai ser o começo do fim (pra tudo isto que vigora)!


Uma ideia sobre “Bicicleta ou Barbárie !

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