“Curitiba faz tudo pelos carros, se continuar assim, não teremos mais espaço”.

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Dito assim, parece coisa de cicloativistaecochato ou semelhante arquétipo que a mídia, saborosamente, gosta de espezinhar. Mas não, quem disse isto foi o Sr. Paulo Bueno Neto, presidente Associação de Moradores e Empresários do Bigorrilho e Campina do Siqueira. Preocupado com a comunidade – de comerciantes que representa- o Sr. Bueno reclama da retirada da pista lateral de estacionamento na rua Francisco Rocha e, da forma como a administração municipal a fez: sem consultar os contribuintes do local.

A prefeitura justifica esta e várias outras iniciativas semelhantes (1, 2, 3, 4,…), como forma de melhorar o fluxo de carros. Num curto espaço de tempo, de forma arbitrária como exclama o empresário acima, e com muita vontade política; assim são as ações que visam amenizar o caos motorizado em Curitiba. Atitudes como esta deixam às claras a prática administrativa curitibana quando o assunto é mobilidade urbana: todo esforço para estender e prolongar este modelo que está no limite. O transporte coletivo de inovador e “modelo para o mundo” quando da implantação há mais de 30 anos, é hoje ineficiente, caro e monopolizado por um cartel, cuja influência política em Curitiba faria de Copolla um inocente diretor da Pixar.

Metrô, projeto cicloviário, transporte coletivo público de qualidade (e por que não gratuito?), iniciativas que busquem não amenizar o caos e sim, subverter este caminho que nos conduz ao abismo, não cabem na agenda e nas tacanhas perspectivas de uma administração pública que não tem compromisso com as mudanças e sim, com o status quo que tanto faz bem às empreiteiras, ao oligopólio do ônibus, montadoras, e outras empresas mais. Nada de novo num modelo de  sociedade onde o interesse do Privado, se sobrepõe  às necessidades do Coletivo.


3 ideias sobre ““Curitiba faz tudo pelos carros, se continuar assim, não teremos mais espaço”.

  1. Uma forma de atender quem não quer usar o transporte coletivo e não pode usar bicicletas, caminhar é quase impossível pelas calçadas curitibanas, principalmente nos bairros, é a utilização de táxis.
    As cooperativas de táxis cobram,disseram-me em off, algo em torno de mil reais por mês dos profissionais dessa área, para poderem trabalhar associados quando não exigem outras compensações.
    A PMC poderia multiplicar o número de táxis (licenças) e, em parceria com a PolÍcia Militar, UNIMED, seguradoras etc. criar uma central de táxis (telecentro) gratuito, acrescentando a tudo isso o direito de exploração de espaços para mídia e isenção de impostos estaduais e municipais.
    Táxis abundantes, eficientes e de baixo custo para o usuário (e rentáveis para os motoristas) melhorariam a mobilidade dos curitibanos, dos paranaenses e de turistas e pessoas que vêm aqui a serviço.

  2. Como é isso de transporte público gratuito? Gasolina cai do céu, manutenção se faz por milagre e os motoristas trabalhariam em troca de sorrisos?

    • E a Saúde (SUS) já não está muito bem paga ?
      E a Educação não é pública ?
      Na Constituição não se fala em liberdade e sim, DIREITO, de ir e vir…
      O que separa as pessoas do trabalho, da Saúde, da Educação?
      Esta estrutura social injusta em que vivemos (capitalismo) não vai tombar com um único e certeiro tiro, vai ser aos porcos e pelas beiradinhas!

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