O bom ciclista é amigo do motorista.

Como seria legal se na sociedade as pessoas se tratassem como irmãs e irmãos, tomando atitudes simples, como oferecer ajuda quando vissem alguém passando algum tipo de necessidade e nem pensassem duas vezes em ajudar.

No dia 7 de novembro aprendi a ser mais sensível com meu próximo. Sai bem atrasado de casa – minha aula é às 19 horas-, sai já era 19h10min. Chegando na praça do Atlético com minha bicicleta, um homem me parou e me pediu ajuda. Ele estava com o seu carro parado em meio à um congestionamento enorme na Getúlio Vargas, por ter esquecido de encher o tanque de combustível. Falei para ele que estava com pressa, mas pensei uma segunda vez e resolvi parar e ajudar. Ele me deu 20,00 reais e uma garrafa. Fui então até o posto mais próximo e enchi-a, o que custou 6,50 reais. Ao voltar, ele me ofereceu 10,00 reais, ao que eu recusei prontamente. Ele agradeceu, mas fiz questão que ele levasse o flyer do www.votolivre.org e outro sobre respeito às mulheres. Acontece que, quando eu estava chegando com a gasolina, aproximou-se do carro um homem desempregado pedindo ajuda. Eu estava sem dinheiro, mas o dono do carro – que eu havia ajudado –  deu uma parte do troco para ele, somente 2 reais. Vendo aquela situação, me arrependi de ter recusado os 10,00 reais, pois poderia ter usado a grana para ajudar o desempregado. Mas independente disto, pude conversar um pouco com ele e deixei a mesma mensagem que tinha deixado com o motorista. Os 2 reais não foram suficientes para o desempregado conseguir comprar a sua janta – conforme era a pretensão daquela carente pessoa. Eu gostaria de ter ajudado mais, mas como falei estava sem grana naquele momento. Percebi que ele estava realmente sendo sincero, pois ele não pensou duas vezes em ajudar um outro motorista passando stress por ter o carro quebrado no outro lado da rua. Foi logo ajudar com o objetivo de também descolar alguma gorjeta, pois desta ajuda dependia a comida que ele iria comprar para ele e sua família. Comentei com ele também que as pessoas deveriam ser mais companheiras uma das outras e ajudar mais o seu próximo. Quando entreguei o flyer do www.votolivre.org falei também que sou cicloativista e expliquei que esta é uma iniciativa popular para acabar com aquilo que estávamos vendo naquele exato momento: um trânsito caótico. Não pude ajudá-lo com dinheiro, mas o ajudei com a conscientização. Ele agradeceu e seguiu.

Eclesiastes 7:12 diz: “Porque a sabedoria serve de defesa, como de defesa serve o dinheiro; mas a excelência da sabedoria é que ela preserva a vida de quem a possui.”

Curitiba seria outra se o egoísmo não dominasse os coração e se as pessoas pensassem mais umas nas outras! E seria outra se as pessoas tivessem a consciência e a sabedoria que esta simples ferramenta, que é a bicicleta, é um instrumento de preservação da vida!

Se algum dia andando ou pedalando ou até dirigindo o teu carro, você puder ajudar alguém, ajude! Um dia pode ser você que precise de ajuda! Vamos fazer a revolução do amor e acabar com o rótulo de “gente fria” que dão para os curitibanos! Supere você mesmo!


2 ideias sobre “O bom ciclista é amigo do motorista.

  1. O povo de Curitiba é absurdamente frio, metido, nariz empinado, antipático , e mesmo quem vem de fora com morar aqui com o tempo acaba assimilando este comportamento, e antes que alguem se ofenda, posso dizer isso com propriedade, pois eu nasci aqui e sempre me perguntei o porquê das pessoas se comportarem assim, e para quem duvida, é só sair daqui, ir para qualquer outra cidade, qualquer outro estado, e ver como o povo é bem mais amistoso na maioria das vezes.

    Talvez seja um mal das grandes cidades,mas mesmo em São Paulo nas vezes em que estive por lá achei que o povo é mais receptivo do que aqui. Mas é bem esse tipo de atitude que voce teve que “quebra” essa frieza, é exatamente o tipo de coisas que todos podem fazer e que efetivamente “mudam o mundo”.

  2. Perfeita análise André, quando você fala do indiviualismo e da necessidade de sermos mais solidários. Isto aponta praquilo que Bauman explica, com rigor científico, aqui neste artigo: http://www.emtese.ufsc.br/vol4_art6.pdf
    Agora, me permita uma crítica. Todos temos que superar o individualismo sim, conforme você mesmo aponta, agora, não podemos pensar que só isto resolverá os estruturais problemas de injustiça social por que passamos em nosso país e, numa escala maior, em todo mundo. Precisamos, uma vez superado o individualismo, usar de nossa união e solidariedade, para construir um modelo de organização social, que supere este em qeu vivemos hoje, o capitalismo, que transforma o homem em explorador de sua própria espécie. Campanha do agasallho, um prato de comida, dar esmolas, pode aliviar a situação de um pequeno número de pessoas, mas não vai resolver o problema. Precisamos construir uma sociedade onde todos tenham as mesmas oportunidades e, sinceramente acredito que você, cristão que é, também quer um mundo melhor para todos nós, Seres Humanos.

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