Ciclistas são da Paz, só os que matam fazem guerra

Ao assitir esta chamada para o Fantástico, escrevemos a seguinte carta:

Muito nos agrada a preocupação e o interesse da Rede Globo, emissora de televisão de maior audiência no Brasil, em pautar a questão da mobilidade nos grandes centros urbanos, tratando com especial interesse as modalidades alternativas de transporte – em especial as bicicletas.

Atenta às demandas sociais e aos problemas que afligem milhões de brasileiros a mídia tem desempenhado um papel fundamental na construção de um país melhor e mais cidadão. Contudo, assistindo as chamadas da programação, vimos que o Fantástico de hoje (11/03/2012), veiculará a reportagem: Fantástico pedala pelas ruas de SP e mostra guerra entre ciclistas e motoristas; ficamos deveras contrariados com a expressão, guerra, uma vez que não é assim que percebemos e vivenciamos a situação.

Primeiro que não há como um cidadão, armado de uma indefesa bicicleta por entre as pernas, declarar guerra contra uma tonelada, motorizada, veloz e que mata -cada dia mais- conforme as estatísticas oficiais. É desproporcional a comparação entre os veículos, carro versus bicicleta, o mínimo que pode acontecer, numa disputa entre estes dois é um massacre, não uma guerra.

Um outro aspecto fundamental é que os usuários da bicicleta entendem ser esta uma opção de transporte que pode ser utilizada e, como tal, merece sim espaço, tanto quanto os outros modais. Já os motoristas, por estarem inseridos numa cultura onde a primazia do uso dos espaços públicos de circulação é monopólio dos veículos automotores, só conseguem enxergar as alternativas modais que almejem o compartilhamento das vias – a bicicleta, por exemplo – como uma intrusa, alguém que está invadindo o espaço que é deles, exclusivamente deles.

Embora o conteúdo da chamada, aponte para uma reportagem em que será evidenciada a fragilidade dos ciclistas, “…é possível uma convivência pacífica, ou os ciclistas vão continuar morrendo no trânsito?”, o termo guerra, não é o mais apropriado para anunciar uma disputa tão desproporcional como esta.

Pode parecer casuísmo ou algo que o valha, mas nós que pedalamos pelas ruas das grandes metrópoles, sentimos na pele – a cada “educativa” fina, a cada buzinada, a cada tombo (quando somos lançados contra o meio-fio), a cada fechada- o comportamento agressivo e desumano da maioria dos motoristas e a falta de respeito com a Vida a que somos submetidos diariamente. Este tipo de relação pode ter várias denominações, menos a de uma guerra.

Nós não queremos guerra, só queremos compartilhar o espaço que é de todos, viver, não poluir e chegar.

 


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