Evento sobre Mobilidade lota auditório da OAB em Curitiba

Num sábado cujo a previsão do tempo previa chuva e acabou ensolarado, muitos curitibanos envolvidos com o tema da Mobilidade Urbana se reuniram na sede da Ordem dos Advogados para discutir os problemas viários da cidade, sendo que muitas das palestras tratavam com destaque o papel e a condição da bicicleta nesse contexto.
O auditório estava completamente ocupado e “as palestras foram excelentes, com uma diversidade temática, tanto se falou de aspectos jurídicos, técnicos e políticos e os palestrantes, sem exceção, souberam transmitir de maneira clara e com muita propriedade  as suas respectivas mensagens”, conforme nos relatou ao final, Alessandro Panasolo que, além de ser coordenador da Comissão de Direito Ambiental da OAB-PR, também foi um dos principais organizadores do evento.

Jorge Brand, presidente da CicloIguaçu, entidade que representa os ciclistas de Curitiba e região, e também organizador do encontro, destacou a importância da OAB, sempre atenta às importantes questões que envolvem nossa sociedade e comprometida com a construção de uma cidade e um país melhor para todos.
Dada a importância do evento e a qualidade da discussão, segue abaixo uma pequena síntese e o áudio completo do que cada palestrante falou.

Meia linha de metrô não vai resolver o problema de Curitiba”, diz Jaime Lerner

O ex-governador destacou que o sistema de transporte da cidade é tido como superado por estar sendo mal operado, pois o embarque é feito rápido, mas o ônibus para em todos as esquinas.  Lembrou ainda que mais de 120 cidades pelo mundo estão adotando o BRT (Bus Rapid Transit), sistema de vias exclusivas para ônibus que em Curitiba existe desde 1973, quando foram implantadas canaletas. Falou ainda sobre especulação imobiliária e sobre seu projeto do Dock-Dock, o minicarro elétrico urbano.
Muito conhecido por suas sucessivas gestões no comando da prefeitura de Curitiba, Jaime Lerner é um arquiteto que conseguiu projeção internacional, todavia, existem muitos críticos ao seu trabalho na administração pública. Um dos muitos acontecimentos políticos que marcam sua trajetória foi a fracassada tentativa de privatizar a Copel. Sobre o projeto urbanístico de Curitiba, muitos dados que podem contrapor o discurso de Lerner, estão no trabalho científico do professor da Universidade Federal do Paraná, Dennison de Oliveira, que se tornou livro sob o título: Curitiba e o mito da cidade modelo, lançado pela editora da UFPR.

Bicicleta não é lazer, bicicleta é meio de transporte”, palavras da Karin Kässmayer

A advogada e também professora de Direito Ambiental na Universidade Federal do Paraná, enfocou aspectos legais sobre a Mobilidade Urbana, com um foco especial sobre a recente Lei 12.587/2012 que foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff, em 3 de janeiro de 2012, e que versa sobre o tema. Kässmayer destacou o Direito à Cidade e, dentro dele o Direito à Mobilidade Urbana, como sendo parte dos Novos Direitos que, com a Constituição de 1988, encontra ampla base de sustentação jurídica. Mais que um direito do cidadão, ela destaca que existe o dever do poder público de promover a Mobilidade Urbana.

Secretário de Trânsito, Marcelo Araújo,  explica como o ciclista deveria andar pela canaleta

O secretário Marcelo Araújo explicou em sua palestra que, o ciclista para pedalar pela canaleta precisaria andar na contramão. Disse ainda que esta via, se fosse aberta ao tráfego de ciclistas, não seria para todos, pois requer atenção especial e condições que nem todos pedalantes possuem.
Marcelo Araújo proferiu uma “aula” de Direito no Trânsito ao se reportar à caracterização e tipificação dos veículos motorizados e dos não-motorizados, demonstrando profundo conhecimento de causa no tema.

Professora Tatiana Gadda falou sobre Segurança Viária

Tendo como área de trabalho a questão ambiental dentro do planejamento urbano, a professora Gadda, trouxe uma palestra versando sobre a Segurança Viária. Em sua apresentação ela destacou um dado alarmante: são vitimadas no mundo, cerca de 1,3 milhões de  pessoas por ano, que morrem em acidentes de trânsito e, caso nada seja feito para reverter essa situação, em 2020, serão 1,9 milhões de mortes. Desses, 46% são pedestres e usuários de veículos de 2 rodas (bicicletas e motos).

O direito de ir e vir é individual, não dos veículos”, lembrou Antonio Miranda

Numa palestra técnica e repleta de exemplos e dados, o arquiteto Antonio Miranda, falou sobre a rede cicloviária e espaço para a circulação da bicicleta.
Pautando-se pelo Estatuto das Cidades, Miranda elencou os 8 itens que são pleiteados pela CicloIguaçu. As guias rebaixadas, as travessias, as (os) vias (passeios) compartilhadas (os) e uma série de outras situações foram exemplificadas com fotos e detalhadas explicações. Ao final, o diretor técnico da Cicloiguaçu lembrou as obras feitas na Avenida Marechal Floriano, mostrando toda a limitação técnica que existiu em sua execução.

Curitiba não tem 120 km de ciclovias”, conforme afirma o professor Fábio Duarte

Coordenador e professor do Programa de Pós-Graduação em Gestão Urbana da PUC Paraná, Fábio Duarte, elencou questões técnicas, políticas e até filosóficas, quando ao finalizar sua palestra, frisou que o problema maior na discussão em torno da (pouca) vontade política da gestão municipal em prover estrutura cicloviária, é moral.
Lembrou as eleições municipais deste ano e a opção que os candidatos deverão fazer, se por uma cidade levada às últimas consequências do caos motorizado ou uma cidade mais transitável, menos poluída e com espaço para bicicletas. Infelizmente a troca de baterias do gravador precisou ser efetuada durante esta palestra, o que gerou o corte de alguns trechos da apresentação do professor Duarte.

Jonny Stica: “Curitiba é hoje voltada para o carro

O vereador Jonny Stica ao iniciar sua apresentação lembrou o exemplo da cidade de Copenhaguen que,  mesmo já tendo uma grande parte da população que usava a bicicleta, na década de 70 do século passado, com a crise do petróleo, viu aprofundada uma demanda ainda maior por estrutura cicloviária para comportar um número crescente de novos ciclistas.
Além de Copenahgue, Stica apresentou o exemplo de outras cidades, inclusive Buenos Aires, onde 7% dos deslocamentos diários são efetuados com o uso da bicicleta, enquanto em Curitiba este número não chega a 2%.

É com pressão que as coisas funcionam”, diz Alexandre Costa Nascimento

O jornalista, ciclista e blogueiro Alexandre C Nascimento apresentou uma série de questões que estão na ordem do dia para que a cidade de Curitiba desperte para as demandas dos muitos e militantes ciclistas da capital. Lembrou o exemplo de São Paulo, que passará a cumprir com maior rigor a Lei que determina a distância mínima de 1,5 metros de distância, que os motoristas precisam respeitar ao ultrapassar um ciclista. Falou das ciclorrotas, momento no qual fez um apelo público ao secretário Marcelo Araújo, lembrando que recorrentemente toca no assunto, pedindo a implantação das mesmas pelo Secretário.
Assim como outros palestrantes, lembrou também dos paraciclos implantados pela prefeitura, iniciativa que ele louvou, porém, com as devidas ressalvas, uma vez que enumerou uma série de críticas a execução da obra.


Uma ideia sobre “Evento sobre Mobilidade lota auditório da OAB em Curitiba

  1. A maioria dos links dos audios não esta funcionando…

    Não pude ir ao evento, será que vcs não conseguiriam arruma-los?

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