Começando a andar de bicicleta em Curitiba

Arte de Valdinei Calvento do blog http://igualvoce.wordpress.com/

Em minhas pedaladas por Curitiba, tanto para o trabalho quanto para faculdade, tenho percebido um aumento significativo de ciclistas pelas ruas. Não disponho de estatísticas ou dados oficiais, trata-se apenas de uma constatação empírica.

E não é para menos. Os constantes e ordinários congestionamentos em que se transformaram as ruas de Curitiba e os lotadíssimos ônibus de um transporte coletivo caro, que um dia já foi modelo e que nos últimos anos perdeu mais de 30% de seus usuários, fazem com que o cidadão busque outras formas de andorinhar pela cidade. Muitos querem fugir, ou dos congestionamentos, ou dos ônibus lotados e a bicicleta pode ser uma excelente alternativa, mas…

Como faço? Por onde começar? Que bicicleta eu compro? É perigoso. Eu transpiro muito. No meu trabalho não tem bicicletário…

Para cada uma dessas questões, que num primeiro momento soam como intransponíveis dificuldades, existem sim respostas e alternativas – isto se a pessoa realmente for de atitude e queira, de fato, operar uma pequena, porém significativa, mudança em sua vida. Óbvio, existem as exceções: distâncias continentais, trajetos complicadíssimos, agudo senso de comodidade, entre outros insuperáveis poréns.

Então vamos aqui conversar sobre todas estas questões no intuito de contribuir para a expansão da fauna ciclística curitibana, de modo que brotem tantos pedalantes sobre o asfalto, quanto um dia já brotou araucárias sob o solo desta fecunda capital.

Arte de Valdinei Calvento do blog http://igualvoce.wordpress.com/

Distância:

A uma velocidade média de 15 km/h – coisa que qualquer criança de 8 a 80 anos consegue desempenhar sem sofrimento-, distâncias de até 10 km são ideais para se pedalar. Quer dizer que, com não mais que 50 minutos você consegue atingir seu destino. Se nas subidas a velocidade cai para 12, 10 ou 8 km/h, não tem problema, na descida correspondente a velocidade será de 25, 30 ou até 40 km/h, o que garantirá a média horária acima prevista.

Para não cansar demais – os ainda leitores que, entusiasticamente logo serão ciclistas -, amanhã continuamos a conversa, tratando das demais questões, é só voltar domani.


6 ideias sobre “Começando a andar de bicicleta em Curitiba

  1. Ha algumas semanas discuti aqui com os colegas, no post sobre o Manual do bicicleteiro, que nem todos os obstáculos são facilmente contornáveis mesmo com boa vontade dos pedaleiros emergentes (como eu). Claro, o manual trata o assunto de forma incentivar a pedalada eliminando por todos os lados as desculpas que arranjamos para não pedalar. Minha frustração por não poder aliar a pedalada ao meu dia-a-dia (ir para o trabalho era uma tarefa complicada) não me deixou em paz e sentia uma pontada de culpa por “abandonar” minha bicilcleta no estacionamento do prédio. Surgiu então, recentemente, uma boa oportunidade de colocar em prática a filosofia dos pedais. Me matriculei num curso preparatório para um concurso que fica a dois km de casa. Perfeito! Seria este o fim da minha culpa. E no começo da noite ainda melhor porque eliminaria o fator “sol” (nada contra ele, mas tem horas em que ele não é nosso aliado).
    No dia da primeira aula liguei na escola antes e pergunte se tinham um espaço para estacionar as bikes. A resposta foi negativa. Verifiquei que nos arredores haviam alguns estacionamentos de carros, o que poderia ser uma alternativa. Na hora da aula peguei a magrela e fui. Nos estacionamentos de carro, só negativas. Nunca havia questionado se estacionamentos de carros aceitavam bicicletas, e achei a idéia tão normal que reagi com certa indignação e surpresa às recusas. Mas… vamos ao plano B. Entrei com a bike na escola e encontrei um espaço vazio no estacionamento dos funcionarios, embaixo de uma escada. Local tranquilo e perfeito.Caberiam ali, pelo menos, mais umas cinco magrelas. Tranquei e fui pra aula.
    Na saída, lá estava ela, “sorridente”, me esperando, e com um grande aviso colado no selim: “Você não está autorizado a estacionar aqui. Da próxima vez tomaremos as providências cabíveis”. Voltei pra casa arrasado e com a constatação de que os bicicleteiros não são bem vindos em Curitiba. E haja sola de sapato…

  2. Evaldo,
    Excelente sua disposição em compartilhar conosco sua infeliz experiência. Penso duas coisas: 1º tenta conversar com a direção desta entidade, explica os motivos pelos quais vc – e um bocado de outras pessoas que também querem uma cidade melhor de se viver – quer ir de bike e tenta negociar com dialogo e troca de ideais. 2º se eles intransigirem, aí a gente parte pro ataque. VAmos usar as redes sociais mostrando que o Curso tal não é amigo da bike. Não quer uma cidade menos poluída e clientes mais saudáveis e por aí vai uma miríade de racionais e justos argumentos que eles vão descobrir, a contragosto, o poder das tais redes sociais, vc topa?

    abço

  3. Esse lance de estacionamentos para carros não aceitarem bicicletas é ridiculo. O fato da escola deixar o aviso mais ridiculo e deprimente ainda. Eu o seu lugar deixaria a bicicleta de novo, ou deixaria um aviso bem educado que se não pudesse deixar a bike ali, seria um aluno a menos… garanto que eles mudam de idéia rapidinho.

  4. Pois é, amigos. Antes mesmo de ler seus comentários eu procurei a diretoria da escola para pedir um melhor esclarecimento. Um dos proprietários dispensou uma certa atenção para me explicar o motivo da não aceitação das bikes, o que, diga-se de passagem, eu ja imaginava: segundo ele, ja houve um episódio de roubo de bike dentro da escola e a mesma foi acionada judicialmente para pagar a bike. Como o estacionamento não tem controle de acesso, seria impossível garantir a segurança das magrelas. Questionei se não valeria a pena investir para, quem sabe, atrair mais alunos. Disseram que realmente isso não é viável no momento.
    Se por um lado fiquei frustrado, por outro não posso espernear contra a decisão dele. É provável que a bike roubada não estivesse bem trancada, facilitando o roubo (e nesse sentido acho que tem muito pedaleiro que vacila também), mas isso não vem ao caso. Desistir ou ameaçar sair da escola não seria uma boa opção porque paguei a vista por um curso de dois meses, ou seja: o preju seria só meu. Além disso, apesar da frustração, não deixei de notar um certo incômodo por parte do diretor em ter que me dar esclarecimentos. Se toda semana alguém aparecesse na direção para reclamar, alguma coisa poderia mudar. Será que ha demanda de bicicleteiros pra isso?
    Sua sugestão, caro Oscar, de mobilizar as redes sociais, eu aceito, mas de uma forma diferente (e sei que o que minha opinião poderá não ser bem acolhida aqui): ao invés de botar a boca no trombone contra estes estabelecimentos que não aceitam as bikes, poderíamos enaltecer todos aqueles que fazem questão de deixar, nem que seja um cantinho nos fundos para guardarmos as magrelas. Um estabelecimento privado, queira ou não, tem o direito de não reservar vagas para ciclistas. Num mercado concorrido, é uma estratégia perigosa, já que muitos empresários (não necessariamente amigo das bicicletas, mas muitas vezes apenas do lucro) buscam todos os tipos de vantagens para atrair os clientes.
    Pensando nesse sentido, deixo aqui minha sugestão para o blog: porque não catalogar estes estabelecimentos amigos da bike e divulgá-los por aqui? O banco de dados poderia ser alimentado por vocês do blog, mas as informações poderiam ser dadas pelos próprios visitantes nos espaços de comentário.
    Abraços…

  5. Essa iniciativa já foi feita um tempo atrás pelo pessoal da bicicletada Curitiba, onde eram distribuidos selos e adesivos dos estabelecimentos “amigos da bicicleta”, e tinha até alguma coisa mapeada no google maps senão me engano, mas acho que o projeto acabou ficando parado.
    Mas é tudo uma questão de oferta e procura, eu dou preferencia a estabelecimentos que tem infraestrutura para bicicletas, e sempre comento isso com outros pedalantes sobre estes estabelecimentos, um pedalante leva a outro e assim por diante, o estabelecimento só tem a ganhar. Mas tem outro lado, é necessário toda uma mudança cultural, ainda tem muito preconceito com relação a bicicletas.

  6. Pingback: Começando a andar de bicicleta em Curitiba (parte II) | Bicicleteiros

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