Ônibus X ciclistas – o outro lado da historia

É bem comum conflitos e acidentes envolvendo ciclistas x motoristas de ônibus, e muita queixa por parte dos ciclistas reclamando de fechadas, finas, etc. É um consenso que muitos dos motoristas de ônibus são despreparados e não respeitam os ciclistas, mas é sempre bom ouvir o outro lado da história…

Conversando com um colega da academia que é motorista de ônibus ele me contou de vários episodios, um que ele me contou deu para sentir o que um motorista passa quase que diariamente, principalmente nas canaletas dos expressos.

Na canaleta do expresso da Sete de Setembro próximo ao tubo da Coronel Culcidio, estão ocorrendo obras se adequar a circulação dos Ligeirões que farão a linha Bento Viana – Santa Cândida.

2013-02-05-266

 O problema é que neste trecho os ônibus são obrigados a sair da canaleta e entrar na pista lateral dividindo o espaço com carros e ciclistas. (Nem vou entrar na questão que essa obra se arrasta a meses) E mesmo que voce esteja pista lateral fora da canaleta, poderá ter problemas com os ônibus.

Unibus entrando na canaleta e ciclista logo a frente e outro onibus vindo. Todo cuidado é pouco

ônibus entrando na canaleta e ciclista logo a frente e outro ônibus vindo. Todo cuidado é pouco!

Em uma ocasião, um ciclista que estava na canaleta entrou na pista lateral no trecho em questão e esse meu colega ao passar com o ônibus ao lado do ciclista buzinou alertando que ia entrar a esquerda na canaleta logo a frente, o ciclista respondeu com o “dedo do meio”, ele reduziu a velocidade e esperou o ciclista seguir em frente, o ciclista continuou trancando a passagem e ainda ficou xingando, e ao chegar ao desvio o ônibus entrou a esquerda na caneleta trancando o ciclista. A situação acabou com o ciclista quase sendo atropelado e logo depois perseguindo e parando o ônibus, motorista com a paciência esgotada querendo descer do ônibus, passageiros segurando o motorista e muitos outros passageiros também  querendo descer do ônibus para dar uma lição ao “ciclista”, que merecia uma bela surra.

 Além desse episódio ele me falou de dezenas de outras situações onde teve que frear, buzinar, parar não passar por cima de algum ciclista na canaleta, ouviu muitos xingamentos (isso porque esta muito bem sinalizado que é proibida a circulação por ali, se você anda  de bicicleta na canaleta tem que ter consciência que a preferencia ali é dos ônibus, não tem o que questionar)
Mas quando o problema acontece nas ruas dai é outra historia, os motoristas tem que entender que as bicletas tem todo o direito de estarem ali, e que a circulação de bicicletas é permitida e regulamentada pelo código de trânsito, mas o que vejo diariamente são muitos ciclistas como estes tomando atitudes totalmente irresponsáveis: cruzando sinais fechados, entrando a frente dos carros e ônibus, não respeitando a faixa de pedestres, andando na contra-mão, calçadas, etc.

E também já vi alguns novatos no cicloativismo que as vezes forçam a barra, parecem que querem causar um conflito em nome da sua “causa” , já vi isso acontecer algumas vezes em bicicletadas e afins.

Pedalantes, não é por ai, o bom senso e a boa convivência acima de tudo, só se consegue ser respeitado quando você demostra respeito. Eu não sou daqueles que faz o simbolo da pombinha da paz quando sou desrespeitado, mas tento (o quanto possível) controlar a a agressividade e agir com diplomacia.
 Ao abordar algum motorista aja com extrema educação (se voce estiver errado, tenha humildade e assuma, eu já abordei motoristas para pedir desculpas!) mas se voce esta correto, só de ter uma postura mais controlada já “quebra” as defesas do motorista que já esta esperando uma atitude agressiva. Se tiver uma camera melhor ainda, (é engraçado como qualquer motorista fica “pianinho” quando vê que esta sendo filmado), em qualquer situação já tire o seu celular, filme, grave a conversa (uma camera de capacete é  ideal!) tire fotos da placa do veículo (já vi alguns motoristas bem nervosos e preocupados quando viram que eu estava tirando fotos)  e se necessário procure os seus direitos. Mas também se lembre que dentro de um ônibus tem dezenas (ou mais de duas centenas!) de pessoas que estão sob a responsabilidade do motorista e que ele tem um horário a cumprir, qualquer freada mais brusca se alguma pessoa de idade ou qualquer outra cair dentro do onibus é um problema sem tamanho para o motorista. Não force a barra, se for o caso pare a bicicleta, deixe o onibus, carro  ou caminhão  passar e siga o seu caminho, é a melhor coisa a fazer.

8 ideias sobre “Ônibus X ciclistas – o outro lado da historia

  1. Vivo repetindo a máxima: “O trânsito é para todos e de todos.”, ou seja, pedestres, ciclistas, motoristas, tem que agir corretamente para que a coisa dê certo. Infelizmente vemos gente sem noção em todos os personagens deste cenário, parece que ai temos o “Fator Brasil” envolvido.
    Felizmente a maioria dos motoristas dirige de forma consciente e segura, claro que existe um grande número de motoristas ruins, mas felizmente não são a maioria. Alguns motoristas de ônibus e caminhões são simplesmente insanos, já tive experiências com esses nas ruas que foram de arrepiar, logo eles que dirigem os “dinossauros” no trânsito e que deveriam ter o cuidado redobrado justamente pelo tamanho e peso dos seus veículos. Mas ser ruim no trânsito não é exclusividade de motoristas, esses são os que mais chamam atenção pois tem os veículos que mais causam estragos lesões e mortes, dentre os ciclistas e os pedestres também temos mal preparados que não sabem se portar em meio ao trânsito. Alguns simplesmente arriscam a vida porque ou são idiotas demais para entender a dinâmica do trânsito ou simplesmente são tão distraídos ao ponto de contar com a sorte.
    Já faz muito tempo que deixei de pedalar pelas canaletas, só o faço em raras ocasiões onde isso não possível, um dos exemplos é a Marechal Floriano Peixoto, onde não há ciclovia, não tenho condições de competir com automóveis e ligeirinho passando na via a 100 Km/h.

  2. Adriano,
    não ando de bicicleta porque não tenho coragem de enfrentar a topografia, o clima, a falta de ciclovias e os possuídos que, ao entrarem no cokpit dos carros incorporam alguma espécie de espírito (de porco) da pressa. Mas assim como existem, boas e más pessoas caminhando pelas belas calçadas da Rua XV, também existem uma porção delas ao volante, ao guidão de uma moto ou de uma bicicleta. O problema não está no veículo, está na Pessoa. Não adianta ficar esperneado por ciclovias quando o problema maior é o desrespeito que existe entre as Pessoas, o descaso com a Vida. O motorista de ônibus é tão vítima quanto algoz nesta realidade, tanto quanto o ciclista, ou o pedestre, mas, estes dois últimos, pagam com a Vida o desrespeito alheio. Então acho desproporcional de sua parte igualar a condição de motoristas e ciclistas, por mais que eu, mesmo que putiado com os infinitos congestionamentos, só ande de carro pela cidade. A toda hora vejo matérias na Gazeta do Povo babando ovo para os ciclistas e para os “cicloativista”, acho uma perda de tempo. A luta tinha que ser pelo respeito à VIDA, não só aos corajosos, valentes e moderninhos que heroicamente pedalam por aí. É uma coisa tosca, corporativa e mesquinha, mas enfim, fuji um pouco da crítica ao tema do seu texto, mas faz tempo que queria falar isto pra alguém, como não tenho conhecidos que pedalam, acho que aqui algum bicicleteiro vai entender do que estou falando.
    Adriano, considere isto uma crítica no campo das ideias, nada pessoal, mas há tempos penso nisto toda vez que vejo um ciclista na rua,
    abraço, Rafa

    • Eu entendi o seu ponto de vista, mas é bem isso o que tentei mostrar no texto: a falta de educação, respeito a vida, esta em todos os tipos de pessoas, em todas as camadas sociais, independentemente do veículo utilizado. mas como o tema do site e bicicleta, sim, defendemos a bicicleta e lutamos para conquistar o nosso espaço que é nosso por direito, registrado e regulamentado.

      O cicloativismo é perda de tempo? alguns só estão nessa para dar uma de moderninhos e ecológicos? pode até ser, mas antes perder tempo com isso do que parado num engarrafamento.

      Com relação aos problemas citados por voce como fatores que dificultam utilizar a bicicleta: clima, topografia, etc, são fatores totalmente contornáveis, se não fossem não haveriam centenas de ciclistas todos os dias pedalando pela cidade. Em algumas cidades da Europa onde a bicicleta é bem mais utilizada do que aqui o clima também não é nada favorável, e nem todas são planas como parecem. O maior problema aqui é cultural, esse sim é complicado de resolver.
      E como eu já disse várias vezes: nada impede de voce ter um carro e ter uma bicicleta, ir trabalhar um dia de ônibus e o outro de bicicleta, se não dá para ir trabalhar usa para ir na padaria, igreja, curso, academia. Ninguém é obrigado a só utilizar só um tipo de veículo, usa da melhor forma e que lhe convém. O que não dá certo é depender de um carro para todos os deslocamentos.

      Sugiro a voce a começar a andar de bicicleta nem que seja uma pedalada no parque no fim de semana, e depois em caminhos e trajetos mais calmos se sentir confiança o bastante. Garanto que voce vai ver a cidade, o transito, a bicicleta e os ciclistas com outros olhos.

  3. Muito bom o texto. O grande problema é a falta de respeito que impera de ambos os lados. Se ciclistas e motoristas se respeitassem um pouco mais, tudo seria muito mais simples. É uma questão cultural, e isso, é difícil de mudar, infelizmente.

  4. Penso que o motorista não deveria de forma alguma colocar a vida do ciclista em risco. Por outro lado, nestes conflitos entre ciclistas e motoristas de ônibus, acho que falta aprofundamento político. Como funciona a escala horária dos motoristas hoje em dia? E a respeito desta obra especificamente, quais as providências para a segurança? Sem dúvida, o motorista tem sua parcela de culpa e às vezes até o ciclista, mas a polarização entre ciclistas e motoristas de coletivos me parece o ideal para distrair a atenção para outras precariedades criadas anteriormente a este conflito e na verdade causadoras disso.

    • Exatamente, mas é como eu quis dizer no texto: falta educação esta em ambos os lados, isso nada mais é que um reflexo, um dos aspectos de como a sociedade atual esta carecendo de educação e valores.

  5. Sei que o tópico é antigo (5 anos), mas caí aqui pesquisando sobre “contramão na canaleta” porque me ocorreu hoje o seguinte episódio:
    Estava pedalando na canaleta na mão correta, na borda direita, com minha bike munida de espelho retrovisor, indo a um compromisso (não pedalo de bobeira, nem por passeio – uso 100% como único modo de transporte para ir do ponto A ao ponto B) e veio na contramão um ciclista, desses com roupinhas especiais, que pedala pra “passear” , e que muito provavelmente participa dessas bicicletadas, etc. Mas na contramão. Nenhum dos dois deu o braço a torcer e quase colidimos. Eu só falei “contramãããão….” e ele ficou puto e gritou “VOCÊ QUE ESTÁ ERRADO!!!”. Cada um foi para seu canto e continuo achando que NUNCA se deve andar na contramão. Aliás, os dois estavam errados pois nem na canaleta deveríamos estar. Mas continuo achando ele mais errado por estar na contramão. Acredito que toda bicicleta tenha que ter espelho retrovisor e SEMPRE estar na mão correta e na borda direita da via.

    • O blog esta parado mas continuamos por ai, pedalando sempre! Entendo seu ponto de vista, o “ideal” seria sempre pedalar na mão correta, mas veja, como falei no texto, bicicletas são proibidas de andar na canaleta, um biarticulado carrega mais de 250 passageiros, é complicado para um ônibus desviar de um ciclista que esteja na mão correta visto que as pistas não tem a largura para isso, então por bom senso e respeito aos passageiros do ônibus (e por saber que pela lei eu não deveria estar circulando de bicicleta por ali) acredito que o melhor e mais seguro para ambos os lados é o ciclista andar na contra mão e sair da canaleta quando acontecer de vir dois ônibus em direções opostas.
      Com relação ao ciclista “engomadinho” infelizmente temos pessoas mal educadas e despreparadas para conviver em harmonia em quaisquer tipo de veículos.

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