Fazer da indignação combustível para recrudescer a luta!

Assim como as ruas são dos carros, no Brasil, as Leis são feitas para os que têm mais poder. Falar isso para um ciclista que todo dia sente na pele, e nas finas, esta carrocracia instituída é mais fácil. O ciclista, mesmo o que ainda não foi vítima de fato, sabe o que é sê-la em potencial. A todo instante, a cada trajeto casa-trabalho-estudo-passeio, ele de alguma forma ou em alguma circunstância, é alvo de alguma agressão. Continuar lendo

Ciclista é atropelado e morre em Curitiba

No bairro do Pinheirinho em Curitiba, o ciclista Edmar Nascimento, foi atropelado e morto por um biarticulado. Foto: Bruno Henrique

Foi na última sexta-feira (20/01/2012), atropelado por um biarticulado, Edmar Nascimento, morreu no local, antes mesmo de chegar o Siate.

O que dizer? Todas as notícias, por mais pobre de informação que seja o texto, não deixa de incriminar o “imprudente” ciclista que estava usando a canaleta de ônibus. Nenhum dos noticiários lembra de mencionar que em Curitiba – capital ecológica(?)- os ciclistas não têm ciclofaixas, ciclovias e o mais importante, respeito.
É importante que o mundo saiba, é MENTIROSA a falácia oficial que diz existir mais de 100 quilómetros de ciclovias em Curitiba. Calçadas cobertas com antipó e compartilhadas entre ciclistas e pedestres, não pode ser chamada de ciclovia. A rua Emanuel Voluz no bairro Pinheirinho, onde o ciclista foi atropelado, é tomada de mautoristas que, sem nenhum tipo de controle, só dirigem a menos de 60 km/h quando estão engarrafados.

Triste é perceber que o interesse dos noticiosos é tão somente relatar o ocorrido e encontrar o culpado – que em situações como esta, os juízes dos jornais, já sentenciaram ser a própria vítima.  Lembrar que a raiz do problema está na desumana distribuição das vias públicas, complicaria demais a matéria de quem só se interessa em dizer o que, onde, quem, quando, por que e como.

A prefeitura não pode ser culpada, afinal, já espalhou por todas as canaletas de Curitiba, placas proibindo a circulação de bicicletas. Já tá mais do que bom, não é mesmo? E assim, entre promessas de Plano Cicloviário, meia-ciclofaixas de imensos 75cm por 2 km, e reuniões com representantes dos ciclistas, aos pouquinhos, uns aqui, outros ali mais adiante, vão sendo atropelados e mortos os ciclistas de Curitiba, até que um dia acabe esta raça que tanto atrapalha o trânsito e apurrinha nosso carrólatra prefeito Luciano Ducci.

Plá lança o cd: Mãos à Obra, o 46º de sua carreira

Plá, o cantor das Bicicletadas, acaba de lançar seu 46º cd: Mãos à Obra. De passagem por Curitiba, não encontrei o Plá no calçadão da rua XV, mas aqui pelas ondas da internet, vi que o cd está à venda pela rede, não pensei duas vezes em pagar os deizão e comprar. Mais uma poética, lírica e inspirada obra deste músico que tem autenticidade e originalidade para dar e vender.

Dentre as 13 faixas, não há uma que seja menos criativa que outra. Mas poderia destacar a regravação com o peso de uma guitarra distorcida da música, Moral. Adiante a monofrásica, Flor: “você é louca, muito louca de bonita”. Lenhas, Dejavú, Meu Milão, são faixas que merecem uma audição atenciosa pela poesia que carregam. Já em Verdade na Cidade, o Plá faz um retrato autobiográfico de sua infância e da tristeza de ver como a cidade e as pessoas mudaram. Fechando o cd o mantra, Poeira Cósmica, encerra uma obra que é puro sentimento e Vida.

Como o próprio Plá gosta de lembrar: “eu não vivo de música, eu vivo a Música!”. Mas nunca é demais destacar que o ganha pão de nosso artista é quase que exclusivo da venda dos cds. Então aqui vão as informações para aquisição deste trabalho do Plá – conforme apresentado no site do mesmo, www.pla.mus.br . Fazer um depósito para o Plá (Ademir Antunes dos Santos) no banco ITAU , agencia: 3701, conta poupança: 14188-3/500. Mande o comprovante para deposito[arroba]pla.mus.br, tão logo confirmada a transação, o link para o o download será enviado para o email indicado.

Cidade para Pessoas

São Paulo, olho do furacão quando o assunto é (i)mobilidade urbana. Lá a jornalista Natália Garcia está desenvolvendo o projeto -com patrocínio colaborativo- Cidade para Pessoas.

Ela já viajou para várias cidades, inclusive Curitiba, coletando depoimentos de especialistas no tema e também conhecendo experiências que contribuem para um melhor uso do espaço público. Como próximo passo ela  pretende levar o resultado de suas viagens e pesquisa para o maior público possível.

Todos que quiserem colaborar com o projeto podem fazer doações via site catarse.me. Fica aí a sugestão de uma excelente oportunidade para  contribuir com quem trabalha por Cidades para Pessoas. Trata-se também de um excelente exemplo para que outras pessoas e grupos Brasil afora, inspirem-se para iniciativas que possam também somar pela causa de um ar menos poluído e por cidades menos desumanizadas.

“Curitiba de Ducci é a capital dos carros”

Ciclista com cartaz de protesto ante a inauguração da Ciclofaixa de Lazer em Curitiba

Acompanhando todas as notícias do clipping da Bicicletada e olhando mais detalhadamente as fotos da inauguração da Ciclofaixa de Lazer de Curitiba no blog que eu ajudei a construir, muitas considerações me vieram à mente, mas uma em especial, pelo paradoxo que representa, merece ser aqui compartilhada.

Na opinião de um curitibano em exílio temporário – coisas da profissão-, e que desde muito cedo se interessou por acompanhar os acontecimentos políticos em nossa cidade, a questão da mobilidade urbana está hoje no olho do furacão, dentre os problemas centrais da administração pública nas médias e grandes cidades do país.

Manifestação alegre, organizada, pacífica e muito bem humorada, arma inconteste da sociedade em meio a tantas aberrações na administração pública em nossa país

Curitiba de (Luciano) Ducci é a capital dos carros, assim destacava um dos muitos cartazes que vi nas fotos do protesto que os ciclistas fizeram. Acontece que estes mesmos bicicleteiros, que compõe uma massa crítica e organizada, sabem muito bem que Curitiba também é a capital com o maior número de carros por habitante do Brasil (IBGE2010). Neste contexto, Luciano Ducci – ou qualquer político de carreira que faz da vida pública uma escalada profissional -, trabalhando sempre com os olhos, ímpetos e esforços voltados para as próximas eleições; não pode, sob hipótese alguma, pôr em risco suas chances eleitorais, logo, não pode também desagradar a grande parcela dos votantes motorizados. Ademais, menos de 2% (IPEA2011) das locomoções em Curitiba são feitas com o modal das duas rodas que não polui.

Luciano Ducci, médico, inteligente, cidadão viajado, com certeza conhece a realidade de cidades onde a bicicleta está fazendo estrondoso sucesso. Urbanisticamente pensando, é quase certo que ele faria de seu arrojado discurso em prol das bicicletas a sua prática também.

Os "violentos" manifestantes e as suas "armas" do futuro na bagagem

Mas se na balança eleitoral o peso maior ainda é daqueles que poluem, congestionam, matam e morrem obesos e com doenças correlatas, o negócio vai ser continuar discursando em prol do que é melhor para a cidade e, agindo de acordo com as conveniências eleitorais, por uma simples questão de sobrevivência profissional.

Infelizmente esta é a regra, com raríssimas exceções, neste nosso Brasil.

As bicicletas e as estatísticas do governo Richa/Ducci a frente da prefeitura de Curitiba

Faixa de Lazer para os ciclistas, mas só uma vez por mês, enquanto acidentes com ciclistas são mais de 2 por dia

De primeiro de janeiro de 2001, quando assumiu a prefeitura Beto Richa, até o dia 30 de setembro de 2011, já na gestão do Luciano Ducci, os números oficiais apresentam valores expressivos. Não de quilômetros de ciclovias ou ciclofaixas, ou de bicicletários e paraciclos instalados, mas sim de acidentes envolvendo os pedalantes desta “sustentável” capital.

Foram 4633 (quatro mil seicentos e trinta e três) acidentes envolvendo ciclistas com carros, caminhões, ônibus e motos. Destes, 65 foram vítimas fatais, no local do acidente. Não contabilizados aqui os que morreram a caminho do hospital ou que ficaram gravemente feridos.

Nestes mais de 10 anos, muito se falou em sustentabilidade, mobilidade urbana, muito foi prometido em termos de estrutura cicloviária e agora, ao final desta década de gestão Richa/Ducci, eles solene e estrondosamente oferecem o “Circuito Ciclofaixa de Lazer”, com extensos 4 km de faixa à esquerda – pois fora o único domingo do mês que funcionará a faixa de lazer, se o ciclista for atropelado e não estiver no lado direito da via, a responsabilidade é dele!

Estão estampados em inúmeros painéis pela cidade a propaganda da “Faixa de Lazer” (se fosse ciclo-faixa- seria na direita das vias!), o que se gasta em publicidade talvez seja muito mais do que custaram aquelas pobres e desnutridas linhas vermelhas no chão.

Os dados são oficiais e foram obtidos no site bombeiroscascavel.com.br . Se imaginarmos as ocorrências sem registro, o número de acidentes, inequivocamente, deve ter sido muito maior.

Vídeo da Marcha das 1000 bicicletas em Curitiba, setembro de 2011

Depois de publicadas aqui algumas fotografias da Marcha das 1000 Bicicletas no Dia Mundial Sem Carros em Curitiba, apresentamos abaixo um pequeno vídeo, produzido pela Gastronomia Urbana, mostrando o que de melhor aconteceu na noite de 22 de setembro de 2011. Imagens maravilhosas, de Pessoas Iluminadas numa edição irretocável. E se você se pegar dando play mais de 2 ou 3 vezes, fique tranquilo, é uma reação natural, mesmo porque, o tempo para, para você assitir (as bicis) e caminha calmo para você pedalar.

Luciano Ducci cria secretaria para substituir a URBS e esquece das bicicletas

O prefeito de Curitiba, Luciano Ducci, anunciou nesta segunda-feira, dia 10, a criação da Secretaria Municipal do Trânsito. Segundo as palavras do prefeito, “a criação da Secretaria faz parte do projeto de evolução na gestão do trânsito para fazer frente às demandas de Curitiba”. Na nota publicada no site oficial da prefeitura, Luciano Ducci anuncia criação da Secretaria Municipal de Trânsito, nada se fala sobre os problemas que a administração municipal vem enfrentando em decorrência da decisão do Tribunal de Justiça do Paraná que, por unanimidade dos votos de seus desembargadores, acatou a Ação Direta de Inconstitucionalidade(Adin) número 52764-2. O relator da ação, desembargador Antônio Martelozzo, destacou que “a delegação de atividade tipicamente pública para entidade privada, no caso a URBS, uma sociedade de economia mista, feriu frontalmente os princípios da impessoalidade e da supremacia do interesse público sobre o particular previstos no art. 27 da Constituição Estadual”.

Na nota publicada no portal da prefeitura, pode-se observar que todas as funções hoje desempenhadas pela Urbs  farão parte do rol de atribuições da nova secretaria. Além de criar esta nova pasta, a administração municipal também recorreu no dia 3 de outubro, protocolando petição junto ao Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR).

Para justificar a criação da Secretaria Municipal de Trânsito, o prefeito argumenta ainda que “Curitiba recebe 1.140 carros novos por semana e tem a maior frota de veículos do País, proporcionalmente ao número de habitantes. Há um conjunto de necessidades, fatores e soluções nesta área que justificam uma secretaria exclusiva”. Falou ainda sobre as obras de mobilidade urbana do PAC da Copa e a nota termina sem dar pistas sobre qual será o destino da URBS, cujas competências serão todas assumidas pela nova pasta da administração municipal.

Mais uma vez Luciano Ducci, candidato declarado a eleição em 2012, fala muito e sobre vários aspectos, a respeito do trânsito e mobilidade urbana em Curitiba e, em nenhum momento fala – provavelmente, sequer pensa – nas bicicletas.

Vejam também a excelente análise de Tarso Cabral Violin, explicando com muito mais propriedade e argumentos o porquê da nossa cidade ir parar no banco dos réus, em função da péssima gestão pública municipal. Foi do blog do Tarso também que surrupiamos a irretocável charge desta postagem.