Só quem não tem dinheiro anda de bicicleta…

pobre de magrela na chuvaPorque quem é “rico” anda de carro ! Sim. O carro é sinônimo de poder. Pelo meio de transporte, podemos fazer a distinção entre as castas. Rico, abastado, aqueles que olham para seus semelhantes com ar de superioridade, se locomovem em veículo próprio, geralmente sozinhos num modal que levaria, confortavelmente, 4 pessoas. Pobre melhorado, vai de moto, motoneta, paga um financiamento que, não passa os 200 reais e está explicitamente, enquadrado numa casta inferior a dos ricos, porém…

Estão acima dos pobres de pai e mãe. Estes, coitados, tem cartão magnético…”DE VALE TRANSPORTE”! Vão de busão mesmo. Que sufoco. É bafo de mortadela com cheiro de sovaco amanhecido e  amigos do alheio fazendo “saudável” e furtiva companhia. É via crucis, estão abaixo do chão que fede com o cocô do cachorro que a madame, olhou para os lados e, como ninguém estava vendo, não juntou.

Agora, como nada tá tão ruim que não possa ser pior neste país. Vem os mais desamparados de todos. Os que andam de bicicleta. E sabe o que pensam os cidadãos dotados de mente mediana ?

- Ahhh coitadinho…Tomando esta baita chuva de bicicleta só pra economizar o vale-transporte !! Que judiação ! Ou então:

- Tá vendo…Não quis estudar, agora taí, pobre, fudido…óh, não tem dinheiro nem pro ônibus !

Chego em casa a noite, num domingo destes que a televisão transforma  em qualquer domingo e, passando da sala para o quarto, não resisto à chamada do âncora da emissora: “a industria do luxo para enfrentar o estresse dos engarrafamentos”. Aí mostram “ricos” que gastam 10 mil reais em sistema de som e dvd para as horas de congestionamento, bancos com massageador, dentre outros avanços e aparatos tecnológicos para que todo mundo continue ordeiramente, queimando a natureza, gastando tempo de suas vidas em dose dupla: no trânsito caótico e, trabalhando mais para pagar o carro mais moderno com os recursos mais avançados. E o que é o mais bacana, os “ricos”, dotados de toda cultura, conhecimentos, intelligenza e  toda gama de elegante e fina predicação; são os que, com seu consumo e padrão de vida, da forma mais alienada e escandalosa, conduzem o planeta, a passos rápidos, para o extermínio próximo.

Que os anjos não digam amém !

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Enjaulados

Enjaulados no trânsito

A Curitiba do verde, a Cidade Sorriso, capital “Ecológica” ou como queiram. Nada disso se verifica na prática. A não ser na propaganda oficial. Palavra de alguém que vive aqui desde muito pequeno e que, teve o dessabor de ver a cidade das pessoas no calçadão da rua XV virar a cidade dos shoppings centers. É tão gritante e absurda a situação que, nesta cidade, constrói-se um shopping ao lado do outro e, pasmem, parece haver demanda para mais um.

No princípio, lá nos idos dos anos 80, era só um, próximo ao Passeio Público. Cheio de irregularidades na construção, mas como os proprietários eram amicíssimos do badalado ex-prefeito Jaime Lerner, toda lei se torna desigual para os ditos “iguais”, quando o assunto é arrojo, modernidade urbana e inovação – base de uma administração burguesa, tecnocrata e mercadológica.
Hoje o centro da cidade está vazio. Dominado pelos “pedreiros” que, para cada pedra não pensam duas vezes – sequer uma – em furtar e cometer pequenos delitos. A polícia também já virou as costas. Está mais preocupada com o entorno dos shoppings e na defesa das grandes propriedades. Quem está preocupado se te roubaram a carteira e o celular ? Na hora de registrar a ocorrência o cara na delegacia só falta rir da sua cara, da inutilidade que significa – e ele sabe disso – a lavra do boletim de ocorrência.
Somado a tudo isto, como consequência também, o trânsito não deixa de “prosperar”. Enriquecendo as montadoras e, mais ainda o capital financeiro internacional com os financiamentos extorsivos de juros exorbitantes, o apocalipse motorizado não tarda a chegar.
O poder público se faz notar nestes momentos e, de forma clara, vemos na prática como funciona o Estado. Para te multar, te repreender e ao mesmo tempo encher os cofres públicos não faltam tirivas (agentes da DIRETRAN) a cada esquina, radares e tudo que possa gerar renda para a prefeitura. Agora, quantas escolas, quantos centros de recuperação de menores, quantos postos de trabalhos são gerados para que, na base desta questão social seja resolvido o problema dos despossuídos que, na carência absoluta de recursos, nos roubam e assaltam, vitímas, tanto quanto nós, deste modelo de sociedade iníqua e desumana.
Aí fica todo mundo enjaulado, ou dentro de casa, ou na segurança e artificialidade do “mundo encantado” dos shoppings ou ainda nos engarrafamentos que, já podem ser entendidos como sinônimo de: trânsito, visto que não entendo como normal o fato de, dentro de um mesmo quarteirão, ver o sinal abrir e fechar 2, 3 e em algumas ocasiões até 4 vezes e as pessoas ali, queimando oxigênio, estressadas, conformadas e ordeiras, aceitando na maior passividade este estado de coisas.
E quando um esquentadinho vem todo buzinado e gritando:
-Sai da rua seu pobre ! Fazendo referência ao fato de eu estar de magrela e não abrir mão da minha faixa da direita – porque eu não fico grudadinho no meio fio pra ser derrubado e alvo de “finas”. Tal situação não me dá direito de resposta, mas isto, será tema do próximo post.

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A BiciMoça

Olha a Moça de Bicicleta

É um conjunto de tanta beleza

Ela Presente é a Natureza

Ela é quem me completa.

Ela passa e nem se dá conta

Dos pensamentos que em minha cabeça ela planta

Eu viajo em seu giro ligeiro

Os meus olhos são seus passageiros

E a fumaça que ela respira

É o ar que o carro consome

E o desrespeito em cada fina

Este é o presente do homem.

Pedala, que o planeta agradece

Pedala e, com teu exemplo, convence

Pois o discurso desta gente motorizada

Diz tanto, mas deixa a Terra ficar desbotada.

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Só mesmo pedalando…

A cena, o momento, a imagem que me regozija e me faz melhor o dia. Quando voltando da cidade eu volto pra casa. Desço de braços abertos ali, no final da 7 de Setembro, onde começa a Rep. Argentina. A sensação de liberdade, o vento no rosto, a bicicleta me levando, isto é  mais, é muito mais do que uma simples locomoção (é uma louca-emoção !).

Inenarrável, sinto que faltam palavras no léxico pra representar verbalmente os sentimentos que me passam. Se nem mesmo Shakespeare conseguiu dar conta das emoções, ao falar do amor, quem sou eu pra consegui-lo ao tentar transcrever  minhas odisséias ciclísticas ?

Se com palavras fica muito difícil, mesmo do auge de minha pretensiosa veia literária, quem sabe, uma imagem, na agora sim, irreprochável, ilustração do Valdinei Calvento, possa traduzir muito melhor, aquilo que nem infinitas palavras o fariam. É pura magia, só mesmo entrando em catarse…SÓ MESMO PEDALANDO !

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A desconexão do contato

Pela janela eu recebia alguns olhares com poucas expressões. Eu concentrava o pensamento à tudo que ocorria em minha volta, mas foi difícil interpretar o que chegava a mim pelas pessoas até me perceber no mesmo plano. Eles eram assustados, desconfiados, tediosos, com dificuldade de se mostrarem pacientes. Certamente, se cruzavam com o meu e em ambos existia um escudo. Mas quem era o inimigo se estávamos na mesma situação? A resposta mais clara é que estar na mesma situação, não é estar no mesmo trem: eis a diferença.

Posso afirmar que os filmes de ficção/futurísticos não entram nas minhas listas de favoritos, mas eles sempre despertam um interesse, ou ao mínimo, uma curiosidade nessa interpretação do futuro e do caos que alguém um dia teve. Mas, de toda forma, poder participar na vida real me deixou com impressões que a tela não provoca.

O meu roteiro era pobre, não teve nenhuma super catástrofe natural, nem um vírus mortal epidêmico e o planeta também não estava sendo invadido por extraterrestres. As pessoas tinham ido visitar suas famílias, seus amigos, namorados e namoradas e agora queriam voltar para o lar. Era simples assim, mas bastou para nos deixar em uma situação sem escolhas, pois a rodovia estava cheia de automóveis de uma maneira que nunca tinha presenciado e agora tudo que podíamos fazer era acompanhá-los.

Eu sei que essas palavras que se ligam a congestionamentos já não produzem um efeito muito grande na maioria das pessoas, principalmente em quem mora em grandes centros. Mas ainda há muitas preocupações sobre congestionar a passagem? Sim, óbvio que sim. Creio que se falarmos que estamos acostumados e que ‘damos um jeito’ na situação, então estaremos prontos para ser enterrados.

Quando começamos à nos indagar dentro do carro dessa situação, a visão de filmes em que todos precisam sair da onde vivem no mesmo momento nos veio à mente, mas com um diferencial: o momento passa lento e não há nenhuma adrenalina presente. Pelo contrário, a visão é tediosa e carece de vida. Estávamos em vários ‘não-lugares’ e não pertencíamos àquilo; ninguém pertence. Se o fim do mundo fosse certo, ninguém escolheria estar no meio da estrada, preso dentro de um carro quando ocorresse. Porém, poucos escolhem se posicionar contra o processo que dá passos largos ao caos maior ou total.

Será que não estávamos no mesmo trem, ou em qualquer sistema de transporte eficiente, moderno, barato, rápido e sustentável porque somos incapazes de fazer isso? Não, nós temos tecnologias, instrumentos, forças, idéias, soluções e criatividade, mas estamos presos à um poder, uma ganância, um sistema; presos ao petróleo e aos tentáculos de sua indústria. Os automóveis particulares precisam ser vendidos para serem vendidos: eis a função. Não é como incentivar todo mundo a ter vassouras em casa para limpar o pó. O carro é vendido como liberdade pessoal e cria prisões para a sociedade inteira. Tem algo que não conecta, é quase como descartar a realidade.

E enquanto isso, os nossos contatos estão subindo os degraus na longitude do tempo. Nossas relações se perdem nesses vazios que criamos. Será que logo não teremos mais verdadeiros lugares para nós? Eu acho que não perdemos a vontade de ir e vir, mas a nossa vida não pode estar entre o vácuo dos dois verbos.

post por vinicius z.

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O lado político da luta ciclo-ativista

O PSDB, partido do ex-presidente FHC – das privatizações, da venda da Vale dentre outras “valorosas” atitudes orientadas pelo Consenso de Washington; parece ter definido o nome do atual prefeito de Curitiba, Beto Richa, como candidato ao governo do Estado.

A Bicicletada, movimento de organização espontânea (Critical Mass), já está consolidada em nossa cidade. No último sábado do mês, nunca menos de 100 ciclistas ocupam as ruas centrais da capital para manifestarem, de forma alegre e pacífica, sua preocupação com o destino do planeta, apresentando a magrela como um meio de transporte que pode contribuir, e muito, para um Mundo menos poluído.

-Tá…mas qual a ligação, qual o nexo, entre o primeiro e o segundo parágrafos ? Há um escandaloso erro de continuidade, ou eu estou enganado ?

Então, vamos tentar dar algum sentindo às coisas.

Todos sabemos (falo isto me incluindo como alguém que participa da Bicicletada) o que queremos. A possibilidade de fazer da magrela nosso meio de transporte para o trabalho, para o estudo e como meio de transporte e, para isto, precisamos de ciclofaixas, ciclovias, respeito no trânsito e condições mínimas de segurança. Quem primeiro deve prover estas condições, são os gestores do poder público em nossa cidade: prefeito e vereadores. Mas vale ainda a lembrança que estes, nada mais são do que os representantes da maioria da população (ao menos deveriam ser), escolhidos pelo voto; e não os representantes de pequenas oligarquias (como a do transporte coletivo por exemplo) ou dos interesses comerciais deste ou daquele grupo de empresas e corporações.

Nossa causa é legítima e encontra respaldo e apoio, no sorriso das pessoas que se congratulam com nossa manifestação; que perguntam: “-como faço pra participar deste ‘passeio’ ?”; que também querem sair de magrela mas não se sentem suficientemente seguras – por pura falta de estrutura urbana – para tanto.

Se temos uma causa justa e temos representantes para lhe dar cabo, então por que as coisas não acontecem ?

Eu ousaria dizer que, nossos representantes ou não estão suficientemente sensibilizados pelo forte apelo do que reivindicamos, ou não nos representam, minimamente,  a contento. Olhando para a Bicicletada, vejo também que, talvez já esteja na hora de ousarmos novas possibilidades e, olhando para frente, acredito sim que devemos nos organizar de forma mais orgânica, criando uma Associação ou coisa que o valha. Esta ideia do Goura tem todo meu apoio e, entendo que, mais organizados, haveremos de ser mais incisivos em nossas ações e reivindicações, o que só faria avançar nossas possibilidades de algumas conquistas.

O atual prefeito, se comprometeu a receber os ciclistas para conversar, isto eu ouvi dele quando estava tirando a foto acima e, também, saiu na Gazeta do Povo , pois então ?!? Candidato ao governo do Estado, desejoso de nos representar numa esfera superior de Governo, haverá o Beto Richa de cumprir o que nos prometeu ? Ou “não terá tempo” para nos receber, mesmo porque a bicicleta é mais um “problema” do que uma das soluções.

Quanto mais organizados, mais respaldados e respeitados; quanto mais respeitados, maiores as changes de sermos recebidos, ouvidos e, principalmente, atendidos em nossos interesses.

E isto é só um pouco, do lado político da luta ciclo-ativista !

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Curitiba: entre o discurso e a prática

Curitiba: cidade inovadora ?Mais um evento típico do sistema em que vivemos. Muita discussão, muitas ideias “INOVADORAS”, muito medalhão de discurso arrojado, muita (mas muita mesmo) publicidade – paga a preço de ouro e, o pior, com o nosso dinheiro. Mas na prática, o que vemos ? Nada do que se fala se efetiva. Exemplo maior disso foi o COP15. O sistema capitalista em que vivemos sabe do mal que está causando à Terra e, como forma de “amenizar” o efeito de suas ações, verbaliza e propaga a ideia de que sim, “estamos preocupados com o futuro do planeta“. Mas na hora de assinar e se submeter às regras que podem efetivar um avanço para a preservação da natureza e, ao mesmo tempo, um descompasso para o sistema capitalista; todos pulam fora !

Curitiba é um gritante exemplo disto. Tem a internacional fama de ser a “capital ecológica”, “cidade verde”, uma construção midiática, fundada e sedimentada pelo grupo do ex-prefeito Jaime Lerner  que, até hoje comanda o executivo municipal. Aqui o “verde” foi a sacada genial de uma gestão tão inteligente quanto oportunista. Mas aqui o transporte público é feito exclusivamente com o mais polunte dos derivados dos hidrocarbonetos: o diesel. Aqui, temos a maior concentração de carros por número de habitantes. Aqui não temos um metro ou outra alternativa de transporte de massas que não seja os ônibus das oligarquias locais.

Enquanto isto…Ciclistas são multados, pelo simples fato de, num ato político, exigirem ciclofaixas. Ora, convenhamos, mobilidade urbana, opções intermodais, para além de discursos, deveriam ser as prioridades de uma gestão, deveras, comprometida com o planejamento urbano, fato que, infelizmente, na capital ecológica não acontece.

Talvez, eu é que não tenha entendido a metáfora. Curitiba é sim uma “Cidade Inovadora”, ela figura como destacado exemplo de gestão pública que segue, rigorosamente, a cartilha dos somíticos interesses do capital e, ao mesmo tempo, constrói no inconsciente coletivo local, o orgulho de morar e viver numa cidade tão “ecologicamente correta”.

***

Uma ótima sugestão de leitura é o trabalho de mestrado do professor Dennison de Oliveira: Curitiba e o mito da cidade-modelo, aqui ele aborda (e desconstrói), com rigor científico, o conceito de que Curitiba é uma cidade modelo.

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Bicicletada Curitiba, fevereiro de 2010

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BICICLETADA EM CURITIBA, dia 27 de fevereiro (sábado) de 2010

Chamada para Bicicletada Curitiba 27/02/2010

Venha participar ! 9h30min no pátio da Reitoria da UFPR.

Como de praxé, mas nunca é demais lembrar, no último sábado do mês, acontece a Bicicletada de Curitiba.

Então neste sábado dia 27 de fevereiro de 2010, às 9h30min, no pátio da Reitoria da UFPR, Rua XV de Novembro, 1299; traga sua alegria, seu entusiasmo, seu protesto. Bicicletada, movimento sem líderes e sem liderados, organização espontânea em prol de um bem comum. Injustificável, é não pedalar; Indescupável, é não participar !

Então, pare de ser um “reclamão” que nunca faz nada ! Faça, aconteça e participe das mudanças, ou você prefere esperar que a fumaça caia do céu ?

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