A Curitiba do verde, a Cidade Sorriso, capital “Ecológica” ou como queiram. Nada disso se verifica na prática. A não ser na propaganda oficial. Palavra de alguém que vive aqui desde muito pequeno e que, teve o dessabor de ver a cidade das pessoas no calçadão da rua XV virar a cidade dos shoppings centers. É tão gritante e absurda a situação que, nesta cidade, constrói-se um shopping ao lado do outro e, pasmem, parece haver demanda para mais um.
No princípio, lá nos idos dos anos 80, era só um, próximo ao Passeio Público. Cheio de irregularidades na construção, mas como os proprietários eram amicíssimos do badalado ex-prefeito Jaime Lerner, toda lei se torna desigual para os ditos “iguais”, quando o assunto é arrojo, modernidade urbana e inovação – base de uma administração burguesa, tecnocrata e mercadológica.
Hoje o centro da cidade está vazio. Dominado pelos “pedreiros” que, para cada pedra não pensam duas vezes – sequer uma – em furtar e cometer pequenos delitos. A polícia também já virou as costas. Está mais preocupada com o entorno dos shoppings e na defesa das grandes propriedades. Quem está preocupado se te roubaram a carteira e o celular ? Na hora de registrar a ocorrência o cara na delegacia só falta rir da sua cara, da inutilidade que significa – e ele sabe disso – a lavra do boletim de ocorrência.
Somado a tudo isto, como consequência também, o trânsito não deixa de “prosperar”. Enriquecendo as montadoras e, mais ainda o capital financeiro internacional com os financiamentos extorsivos de juros exorbitantes, o apocalipse motorizado não tarda a chegar.
O poder público se faz notar nestes momentos e, de forma clara, vemos na prática como funciona o Estado. Para te multar, te repreender e ao mesmo tempo encher os cofres públicos não faltam tirivas (agentes da DIRETRAN) a cada esquina, radares e tudo que possa gerar renda para a prefeitura. Agora, quantas escolas, quantos centros de recuperação de menores, quantos postos de trabalhos são gerados para que, na base desta questão social seja resolvido o problema dos despossuídos que, na carência absoluta de recursos, nos roubam e assaltam, vitímas, tanto quanto nós, deste modelo de sociedade iníqua e desumana.
Aí fica todo mundo enjaulado, ou dentro de casa, ou na segurança e artificialidade do “mundo encantado” dos shoppings ou ainda nos engarrafamentos que, já podem ser entendidos como sinônimo de: trânsito, visto que não entendo como normal o fato de, dentro de um mesmo quarteirão, ver o sinal abrir e fechar 2, 3 e em algumas ocasiões até 4 vezes e as pessoas ali, queimando oxigênio, estressadas, conformadas e ordeiras, aceitando na maior passividade este estado de coisas.
E quando um esquentadinho vem todo buzinado e gritando:
-Sai da rua seu pobre ! Fazendo referência ao fato de eu estar de magrela e não abrir mão da minha faixa da direita – porque eu não fico grudadinho no meio fio pra ser derrubado e alvo de “finas”. Tal situação não me dá direito de resposta, mas isto, será tema do próximo post.












Só quem não tem dinheiro anda de bicicleta…
Estão acima dos pobres de pai e mãe. Estes, coitados, tem cartão magnético…”DE VALE TRANSPORTE”! Vão de busão mesmo. Que sufoco. É bafo de mortadela com cheiro de sovaco amanhecido e amigos do alheio fazendo “saudável” e furtiva companhia. É via crucis, estão abaixo do chão que fede com o cocô do cachorro que a madame, olhou para os lados e, como ninguém estava vendo, não juntou.
Agora, como nada tá tão ruim que não possa ser pior neste país. Vem os mais desamparados de todos. Os que andam de bicicleta. E sabe o que pensam os cidadãos dotados de mente mediana ?
- Ahhh coitadinho…Tomando esta baita chuva de bicicleta só pra economizar o vale-transporte !! Que judiação ! Ou então:
- Tá vendo…Não quis estudar, agora taí, pobre, fudido…óh, não tem dinheiro nem pro ônibus !
Chego em casa a noite, num domingo destes que a televisão transforma em qualquer domingo e, passando da sala para o quarto, não resisto à chamada do âncora da emissora: “a industria do luxo para enfrentar o estresse dos engarrafamentos”. Aí mostram “ricos” que gastam 10 mil reais em sistema de som e dvd para as horas de congestionamento, bancos com massageador, dentre outros avanços e aparatos tecnológicos para que todo mundo continue ordeiramente, queimando a natureza, gastando tempo de suas vidas em dose dupla: no trânsito caótico e, trabalhando mais para pagar o carro mais moderno com os recursos mais avançados. E o que é o mais bacana, os “ricos”, dotados de toda cultura, conhecimentos, intelligenza e toda gama de elegante e fina predicação; são os que, com seu consumo e padrão de vida, da forma mais alienada e escandalosa, conduzem o planeta, a passos rápidos, para o extermínio próximo.
Que os anjos não digam amém !