Será que finalmente poderemos parar de andar na canaleta?

 

Pelo menos num pequeno trecho da Sete de Setembro parece que sim, como já foi noticiado pelo blog Ir e vir de bike, a avenida 7 de Setembro esta sendo reformada  com marcação no chão com área especifica para transito de bicicletas:

Marcação na pista

Marcação na pista sendo feita

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Confesso que fiquei surpreso, pelo que parece esta sendo algo bem feito, uma pista bem marcada e com largura razoável, nos dois sentidos da Av. Sete de Setembro. Seria interessante que isso fosse feito em todas as canaletas, e em todas grandes avenidas e binários, dai sim teríamos uma cidade verdadeiramente ciclável.

 

detalhe da marcação do cruzamento, muito bem marcada.

detalhe da marcação do cruzamento, muito bem marcada.

 

Bike-box no semáforo, coisa de primeiro mundo

Bike-box no semáforo, coisa de primeiro mundo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vale lembrar que essa obra em questão é um pouco mais de 1% do que foi prometido pela prefeitura, mas já é um começo.

 

 

 

Ciclocalçada – Arthur Bernardes/Mario Tourinho

Que as ciclocalçadas ou ciclovias compartilhadas de Curitiba são uma piada e uma ofensa aos ciclistas isso quase todo mundo já sabe, são migalhas e remendos mal projetados que a prefeitura nos dá.

É como se lavassem as mãos e dissessem:

” Tá ai a sua ciclovia, agora ande com sua bicicleta por ai e não atrapalhe o transito dos carros!”

Faz um tempo que eu não andava pela ciclocalçada da Arthur Bernardes/Mario Tourinho, mas nas ultimas semanas tive que trabalhar em outro local e passando por ali  pude constatar diversas irregularidades:

Ciclovia destruída e repavimentação fora do padrão. Já abri um protocolo na Central 156:

Será que alguém sabe que aqui é uma "ciclovia"?

Será que alguém sabe que aqui é uma “ciclovia”?

Armadilha pega ciclista!

Armadilha pega ciclista!

   Porque não colocam um poste desses no meio da rua para ver o que acontece?

No meio do caminho, havia um poste!

No meio do caminho, havia um poste!

Cruzamento sem guia rebaixada, a rampa para acesso a cadeirantes que poderia ser utilizada por bicicletas fica afastada do desenho da ciclocalçada. Já fiz varias reclamações na Central 156 sobre este cruzamento mas eles dizem que não tem nada de errado:

Será que quem projetou isso já andou de bicicleta alguma vez na vida?

Será que quem projetou isso já andou de bicicleta alguma vez na vida?

Obras da Sanepar impedindo a passagem. Desrespeito total a pedestres e ciclistas.

O que custa demarcar um pedaço da via para a passagem? Ah, esqueci, isso atrapalharia o transito dos veículos!

Bicicletas e pedestres? que se virem e passem por onde der.

Bicicletas e pedestres? que se virem e passem por onde der.

Sempre quando há estas obras que quebram partes da ciclovia, demoram semanas para repavimentarem (isso quando repavimentam)  já sofri uma queda num buraco desses que foi tampado com pedra brita e areia, o pneu dianteiro da bicicleta afundou e fui para o chão.

Não sou totalmente contra ciclovias compartilhadas, dependendo da via fica complicado e inviável fazer uma pista exclusiva para bicicletas, é melhor uma ciclovia compartilhada do que nada. Já ouvi alguns ciclistas falando que é complicado dividir espaço com os pedestres, que eles andam mais devagar, entram na frente,  tem que desviar, esperar, etc (ironicamente estes são praticamente os mesmos argumentos que os motoristas usam para falar de bicicletas nas ruas) mas é imprescindível que estas ciclocalçadas sejam devidamente sinalizadas alertando que ali é de circulação compartilhada, com  pavimento adequado plano e sem obstáculos, e nos cruzamentos o ideal seria que fosse do tipo passagem elevada devidamente sinalizados, com preferência total aos pedestres e ciclistas e/ou com semáforos  específicos para isto.

O que não é correto é jogar asfalto numa calçada e dizer que ali é uma ciclovia. Na Avenida Arthur Bernardes em quase toda a sua extensão desde o Supermercados Big até a Fonte dos Anjos, dá tranquilamente para fazer uma pista exclusiva para bicicletas, uma pista para cooper e pedestres e ainda colocar 3 faixas de cada lado para os carros, sem comprometer a estética e arborização da avenida.

Basta um pouco de boa vontade, dinheiro para fazer isso eles tem. Cadê o dinheiro da Copa?

De bicicleta para o trabalho – manual

Vendo todo aquele povo pedalante na última Marcha das 2012 Bicicletas, fiquei me perguntando, será que todo esse povo efetivamente anda de bicicleta no dia a dia?

Longe de querer questionar como cada um usa a sua bicicleta, tem vários ciclistas que preferem só usar como esporte, nos finais de semana, outros só para irem no parque, cada um usa da forma que melhor lhe atende e convém. Continuar lendo

Ciclofaixa na Marechal Floriano, isto é para comemorar ou lamentar ?

Goura, mandando o recado pro mundo !

Manifestação no Congresso Internacional de Cidades Inovadoras 2010

Então está aí. Noticiado pela agência oficial do governo Lerner – e todos seus descendentes políticos. Verba do Banco Mundial, show pirotécnico, mais uma forte peça publicitária que vai contribuir ainda mais pra nossa internacional fama de “Capital Ecológica”. A CICLOFAIXA na Avenida Marechal Floriano, já tem orçamento e verba definida. Parece que agora, finalmente sairá do papel.

O projeto prevê que, “um dia”, ela chegará no Parque Iguaçu. “Um dia” ela se estenderá por toda a Avenida Marechal Floriano (12,6 km). Mas por enquanto, ficaremos engolindo o discurso:

“-Porque nós construímos ciclovias, ciclofaixas, investimos na mobilidade urbana, somos exemplo para o Brasil e para o mundo…”

Vai ter propaganda na TV, vai ter capa na Veja, vai ter visita dos gurus da arquitetura mundial, viajando de primeira classe e se hospedando nos Bourbons da vida, em troca de rasgados elogios à “sofisticação e arrojo” do Projeto. Tudo pago com dinheiro (Público) que poderia servir para construir muito mais do que os risíveis 4 QUILOMETROS DE CICLOFAIXA !

Isto mesmo. Serão 4 km para que os ciclistas da cidade possam pedalar com toda segurança e tranquilidade.

Os otimistas dirão: bom, pelo menos é um começo.

Os pessimistas chamarão de, fraquíssimo, este meu texto.

Eu só sei que, o bondinho da rua XV, faz alusão a um meio de transporte que um dia existiu em nossa cidade. Já esta ciclofaixa, fará a maior propaganda, simulando apoio, a  um meio de transporte que está longe de ser reconhecido  -e  respeitado – como tal em nossa nada ecológica “Capital Ecológica”.

Lá tem lugar pra deixar a bike?

Vamos analisar um pouco…  Que fatores determinam a nossa opção por usar a bicicleta como o meio de transporte?

Uns dirão que é o tempo, outros a facilidade, a sensação de liberdade. Enfim… Existem vários. Mas um fator muito importante que decide se vamos ou não de bicicleta é: onde eu vou guardar a minha bike? Quem aqui já usou a bike pra ir ao cinema, ou ir pra balada. É isso mesmo! Pra balada!

Ah, mas você está louco em querer ir para a balada de bicicleta… E eu respondo: não estou.

Essa prática é muito frequente em outros países. Japão por exemplo. Claro que este exemplo serve para aqueles que não dão a mínima em como chegar na balada. Mas o que quero abordar aqui é o fato de que poucos lugares oferecem ao freguês um lugar adequado para deixar a sua bike. Um lugar que a protege da chuva e, principalmente, de roubo.

Já usei a bike para ir ao cinema. No Shopping Estação tem um bicicletário, onde você paga R$ 1, e deixa a bike cadeada com o cadeado do próprio bicicletário em um lugar onde tem sempre um cobrador de estacionamento e uma câmera. Relavimente seguro.

O Shopping Curitiba tem bicicletário também, mas lá você tem que ter o seu cadeado. O problema é se você esquece o cadeado. Aí eles não deixam você guardar a bike lá dentro. Passei por este probleminha, e aí, dei uma olhada nos estacionamentos ao redor e ninguém podia guardar a bike. Acho que os donos de estacionamento nem pensam na possibilidade de usar um espaço de 5m² para guardar bikes.

Nas baladas aqui em Curitiba, acho que bicicletários não existem. Mas se existe alguma com bicicletário, eu quero ir.

Aí vem o que gostaria que acontecesse: mais lugares com bicicletários. Se você sabe que tem um lugar seguro pra bike, por quê não ir pedalando?

Só quem não tem dinheiro anda de bicicleta…

pobre de magrela na chuvaPorque quem é “rico” anda de carro ! Sim. O carro é sinônimo de poder. Pelo meio de transporte, podemos fazer a distinção entre as castas. Rico, abastado, aqueles que olham para seus semelhantes com ar de superioridade, se locomovem em veículo próprio, geralmente sozinhos num modal que levaria, confortavelmente, 4 pessoas. Pobre melhorado, vai de moto, motoneta, paga um financiamento que, não passa os 200 reais e está explicitamente, enquadrado numa casta inferior a dos ricos, porém…

Estão acima dos pobres de pai e mãe. Estes, coitados, tem cartão magnético…”DE VALE TRANSPORTE”! Vão de busão mesmo. Que sufoco. É bafo de mortadela com cheiro de sovaco amanhecido e  amigos do alheio fazendo “saudável” e furtiva companhia. É via crucis, estão abaixo do chão que fede com o cocô do cachorro que a madame, olhou para os lados e, como ninguém estava vendo, não juntou.

Agora, como nada tá tão ruim que não possa ser pior neste país. Vem os mais desamparados de todos. Os que andam de bicicleta. E sabe o que pensam os cidadãos dotados de mente mediana ?

– Ahhh coitadinho…Tomando esta baita chuva de bicicleta só pra economizar o vale-transporte !! Que judiação ! Ou então:

– Tá vendo…Não quis estudar, agora taí, pobre, fudido…óh, não tem dinheiro nem pro ônibus !

Chego em casa a noite, num domingo destes que a televisão transforma  em qualquer domingo e, passando da sala para o quarto, não resisto à chamada do âncora da emissora: “a industria do luxo para enfrentar o estresse dos engarrafamentos”. Aí mostram “ricos” que gastam 10 mil reais em sistema de som e dvd para as horas de congestionamento, bancos com massageador, dentre outros avanços e aparatos tecnológicos para que todo mundo continue ordeiramente, queimando a natureza, gastando tempo de suas vidas em dose dupla: no trânsito caótico e, trabalhando mais para pagar o carro mais moderno com os recursos mais avançados. E o que é o mais bacana, os “ricos”, dotados de toda cultura, conhecimentos, intelligenza e  toda gama de elegante e fina predicação; são os que, com seu consumo e padrão de vida, da forma mais alienada e escandalosa, conduzem o planeta, a passos rápidos, para o extermínio próximo.

Que os anjos não digam amém !

Enjaulados

Enjaulados no trânsito

A Curitiba do verde, a Cidade Sorriso, capital “Ecológica” ou como queiram. Nada disso se verifica na prática. A não ser na propaganda oficial. Palavra de alguém que vive aqui desde muito pequeno e que, teve o dessabor de ver a cidade das pessoas no calçadão da rua XV virar a cidade dos shoppings centers. É tão gritante e absurda a situação que, nesta cidade, constrói-se um shopping ao lado do outro e, pasmem, parece haver demanda para mais um.

No princípio, lá nos idos dos anos 80, era só um, próximo ao Passeio Público. Cheio de irregularidades na construção, mas como os proprietários eram amicíssimos do badalado ex-prefeito Jaime Lerner, toda lei se torna desigual para os ditos “iguais”, quando o assunto é arrojo, modernidade urbana e inovação – base de uma administração burguesa, tecnocrata e mercadológica.
Hoje o centro da cidade está vazio. Dominado pelos “pedreiros” que, para cada pedra não pensam duas vezes – sequer uma – em furtar e cometer pequenos delitos. A polícia também já virou as costas. Está mais preocupada com o entorno dos shoppings e na defesa das grandes propriedades. Quem está preocupado se te roubaram a carteira e o celular ? Na hora de registrar a ocorrência o cara na delegacia só falta rir da sua cara, da inutilidade que significa – e ele sabe disso – a lavra do boletim de ocorrência.
Somado a tudo isto, como consequência também, o trânsito não deixa de “prosperar”. Enriquecendo as montadoras e, mais ainda o capital financeiro internacional com os financiamentos extorsivos de juros exorbitantes, o apocalipse motorizado não tarda a chegar.
O poder público se faz notar nestes momentos e, de forma clara, vemos na prática como funciona o Estado. Para te multar, te repreender e ao mesmo tempo encher os cofres públicos não faltam tirivas (agentes da DIRETRAN) a cada esquina, radares e tudo que possa gerar renda para a prefeitura. Agora, quantas escolas, quantos centros de recuperação de menores, quantos postos de trabalhos são gerados para que, na base desta questão social seja resolvido o problema dos despossuídos que, na carência absoluta de recursos, nos roubam e assaltam, vitímas, tanto quanto nós, deste modelo de sociedade iníqua e desumana.
Aí fica todo mundo enjaulado, ou dentro de casa, ou na segurança e artificialidade do “mundo encantado” dos shoppings ou ainda nos engarrafamentos que, já podem ser entendidos como sinônimo de: trânsito, visto que não entendo como normal o fato de, dentro de um mesmo quarteirão, ver o sinal abrir e fechar 2, 3 e em algumas ocasiões até 4 vezes e as pessoas ali, queimando oxigênio, estressadas, conformadas e ordeiras, aceitando na maior passividade este estado de coisas.
E quando um esquentadinho vem todo buzinado e gritando:
-Sai da rua seu pobre ! Fazendo referência ao fato de eu estar de magrela e não abrir mão da minha faixa da direita – porque eu não fico grudadinho no meio fio pra ser derrubado e alvo de “finas”. Tal situação não me dá direito de resposta, mas isto, será tema do próximo post.