Fotografias da Bicicletada Curitiba de janeiro de 2012

Ciclofaixa da Marechal Floriano: só em fila indiana e ainda assim levando "educativas" finas de carros, caminhões e ligeirinhos

Seja para protestar contra uma Meia ciclofaixa de apenas 75 centímetros, ou para lembrar a morte do ciclista Edimar Nascimento, a Bicicletada – muito mais que um passeio – é um acontecimento político.

Na Bicicletada deste sábado (28/01), muito se discutiu sobre os prós e os contras da dita Meia ciclofaixa da Marechal Floriano em Curitiba. Muitos consideram um avanço, pois antes, nem isto tínhamos. Outros lembram que o projeto apresentava os 1,5 metros de largura, então não podemos nos contentar com nada menos do que isto.

Questões técnicas e pontuais à parte, tenho cá uma análise, pretenciosamente, menos rasa sobre o assunto. Enquanto ficarmos questionando centímetros e desperdiçando nosso verbo e esforços pela correção de minúsculas obras em prol da ciclomobilidade, perdemos de foco o que entendo por principal: a mudança do conceito. Uma transformação cultural é o que precisamos. Quando os técnicos do Ippuc ou da Urbs dizem que “não dá” para aumentar mais que “x” centímetros a largura da estreitíssima ciclofaixa, o que é que eles estão dizendo? Estão simplesmente lembrando que até farão o possível para melhorar as condições dos ciclistas, desde que para isto, não se retire – um centímetro sequer – do espaço consagrado ao fluxo prioritário dos automóveis. Enquanto o espaço público de circulação for entendido como sendo dos carros, uma ou outra conquista cicloviária poderá haver, mas nunca a realmente necessária e suficiente.

Em Curitiba 2 exemplos exclamam tal situação. Este da meia ciclofaixa na Marechal Floriano, onde quem ousar propor a extinção de uma faixa de circulação para carros, seria queimado na fogueira da carrólatra Inquisição, ou então, por diagnóstico de insanidade absoluta, seria enviado compulsoriamente para um “reformatório” junto com a galera do crack. Outro caso é o Anel Viário. Se de fato o sistema de transporte coletivo fosse uma prioridade para a administração de Luciano Ducci e Cia, esta obra já teria sido elaborada, desde o projeto, prevendo implantação de vias exclusivas para os ônibus, mas como isto implicaria em sacrificar vias dos poluidores particulares, mais uma vez desperdiçou-se a oportunidade de melhorar – de fato, e não só na propaganda oficial – a qualidade do transporte coletivo de Curitiba. Então, Curitiba é ou não é a capital dos carros? O último senso do IBGE (2010) já afirmava ser Curitiba a capital com maior número de carros por habitantes e, com todos os esforços de nosso prefeito, tão cedo a gente não passa para frente este troféu.

O espaço público é de todos, mobilidade é uma necessidade, por que não prestigiar modais que melhoram a circulação e a qualidade do ar? Por que não investir numa mudança cultural?

Abaixo alguns registros fotográficos da Bicicletada de janeiro em Curitiba.[like url=http://goo.gl/fTDzx xfbml=true action=like layout=standard][nggallery id=27]

Meia Ciclofaixa da Marechal Floriano gera protesto dos ciclistas

Marechal Floriano Peixoto: 2 faixas para carros em alta velocidade, 0,75 metros para meio Ciclofaixa

Agora pouco, cerca de 20 ciclistas realizaram um protesto relâmpago na “Meiafaixa” da Marechal Floriano em Curitiba. Aquilo que era para ser uma ciclofaixa com 1,5 metros, acabou sendo construída com apenas 75 cm.

Ricardo Mesquita, arquiteto e profundo conhecedor sobre acessibilidade

Chamado às 14h no site da Bicicletada, o evento foi realizado às 17h30min, muito “em cima da hora” como comentou o Lynconl, no  post que convocava os ciclistas. Embora tenha sido pequena, esta primeira manifestação serviu como ponto de partida para algo maior, conforme afirmou o estudante de teologia André Belletti, “Vamos voltar aqui e trazer bem mais gente, pois é um absurdo a falta de respeito com estamos sendo tratados pelo prefeito Luciano Ducci. Eles gastam dinheiro público numa obra mal feita e depois ficam se isentando da responsabilidade, pois  a Urbs diz que a culpa pelo erro é do Ippuc e vice-versa”. Morador do Hauer e usuário da bicicleta em quase todos os seus deslocamentos pela cidade, Belletti acrescenta que: “qualquer ciclista que tenha uma percepção da realidade de se pedalar naquela ciclofaixa pode apontar os erros da ciclofaixa”.

Plá, o cantor das bicicletas, sempre presente e mandando seu recado

Ricardo Mesquista, arquiteto e especialista em acessibilidade foi quem convocou a imprensa e deu o tom do protesto. Repleto de argumentos técnicos e demonstrando plenos conhecimentos de causa, enumerou vários erros presentes na execução da obra. O engenheiro André Caon, diretor da Sociedade Peatonal, que participou do protesto e trouxe à discussão a experiência de quem conhece de obras e, também, de quem usa a bicicleta como seu principal meio de transporte.

Os ciclistas se mostraram indignados com o orçamento da obra e com o resultado final dela e, já existe a promessa da prefeitura de que a ciclofaixa será alargada, porém, aquém da medida mínima de 1,5 metros, conforme noticiado no blog IrEVirDeBike. Todos foram unânimes em considerar a ideia de que a próxima Bicicletada de Curitiba (28 de janeiro de 2012), venha a carga novamente para fazer uma grande manifestação sobre a “meiafaixa” da Marechal Floriano.

Leia Mais: