Reinventando a roda

Estava vendo um jornal da TV alguns dias atrás, quando vi uma matéria com o nosso excelentíssimo ex-governador Jaime Lerner, apresentando o revolucionário meio de transporte individual  “coletivo” (segundo as suas próprias palavras) que ele quer implementar aqui em Curitiba: o dock dock

Pelo que pesquisei, já tem referencias a este veículo e a esse “projeto” desde 2009, então a idéia não é tão nova assim, mas vejam esse vídeo:

E vejam o absurdo que ele fala, aos 2:10 :  “ áreas em que você não quer estimular o uso de automóvel normal. Áreas históricas, área  de pedestres, ciclovias…. etc. ???????????? COMO ASSIM BIAL? Pelo que eu sei, em área de pedestres é proibido o uso de qualquer tipo de veículo motorizado, o mesmo para ciclovias. Ou seja, onde  e como especificamente um veículo como esses pode ajudar no transito, se o próprio Jaime Lerner fala que não é para ser utilizado nas ruas, e que só anda a 25km/h, e com uma autonomia de 100km?

Muitos admiram o Jaime Lerner e seus trabalhos, mas me desculpem os admiradores, concordo totalmente que ele tem e teve  boas idéias e fez grandes obras em Curitiba,  mas esse dock dock é  lamentável.

Para quem achou essa idéia boa, vou apresentar agora, uma das maiores invenções da humanidade, é o meio de transporte mais eficiente que existe, não poluente, totalmente  sustentável,  com essa invenção qualquer pessoa consegue  percorrer um trajeto com 1/3 do esforço que faria andando, e de quebra faz diminuir o volume adiposo de suas nádegas e areja a sua cabeça, fazendo que pense melhor e fale (e faça) menos besteiras.  Eis a bicicleta:

Esse sim é o exemplo que um governador deve dar! Mas é como dizem, cada povo tem o governante que merece!

Eu com minha bike pego sem fazer muito esforço velocidades acima de  30, 35km/h. Faço uma média de 15 a 17km/h andando pela cidade e as vezes ando mais de 500km sem precisar fazer manutenção alguma na bicicleta, além de que “teoricamente” tenho todo o direito de andar pelas ruas junto com os carros, já este veículo não, e só atrapalharia mais ainda o fluxo de veículos.

Veículos compactos e elétricos são uma boa alternativa, mas esse veículo especificamente só serve para passear pelos campos de golf, shoppings centers e parques, e não tem nem um décimo da funcionalidade e praticidade de uma bicicleta.

Usar a tecnologia para melhorar a vida das pessoas é uma boa idéia, mas querer reinventar a roda definitivamente não é.

Curitiba: entre o discurso e a prática

Curitiba: cidade inovadora ?Mais um evento típico do sistema em que vivemos. Muita discussão, muitas ideias “INOVADORAS”, muito medalhão de discurso arrojado, muita (mas muita mesmo) publicidade – paga a preço de ouro e, o pior, com o nosso dinheiro. Mas na prática, o que vemos ? Nada do que se fala se efetiva. Exemplo maior disso foi o COP15. O sistema capitalista em que vivemos sabe do mal que está causando à Terra e, como forma de “amenizar” o efeito de suas ações, verbaliza e propaga a ideia de que sim, “estamos preocupados com o futuro do planeta“. Mas na hora de assinar e se submeter às regras que podem efetivar um avanço para a preservação da natureza e, ao mesmo tempo, um descompasso para o sistema capitalista; todos pulam fora !

Curitiba é um gritante exemplo disto. Tem a internacional fama de ser a “capital ecológica”, “cidade verde”, uma construção midiática, fundada e sedimentada pelo grupo do ex-prefeito Jaime Lerner  que, até hoje comanda o executivo municipal. Aqui o “verde” foi a sacada genial de uma gestão tão inteligente quanto oportunista. Mas aqui o transporte público é feito exclusivamente com o mais polunte dos derivados dos hidrocarbonetos: o diesel. Aqui, temos a maior concentração de carros por número de habitantes. Aqui não temos um metro ou outra alternativa de transporte de massas que não seja os ônibus das oligarquias locais.

Enquanto isto…Ciclistas são multados, pelo simples fato de, num ato político, exigirem ciclofaixas. Ora, convenhamos, mobilidade urbana, opções intermodais, para além de discursos, deveriam ser as prioridades de uma gestão, deveras, comprometida com o planejamento urbano, fato que, infelizmente, na capital ecológica não acontece.

Talvez, eu é que não tenha entendido a metáfora. Curitiba é sim uma “Cidade Inovadora”, ela figura como destacado exemplo de gestão pública que segue, rigorosamente, a cartilha dos somíticos interesses do capital e, ao mesmo tempo, constrói no inconsciente coletivo local, o orgulho de morar e viver numa cidade tão “ecologicamente correta”.

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Uma ótima sugestão de leitura é o trabalho de mestrado do professor Dennison de Oliveira: Curitiba e o mito da cidade-modelo, aqui ele aborda (e desconstrói), com rigor científico, o conceito de que Curitiba é uma cidade modelo.