Bicicletada de setembro de 2011 em Curitiba

Se dois ou mais já fazem uma Bicicletada, 14 fazem um estardalhaço! Dá para, literalmente, conversar com todo mundo que apareceu para bicicletear. Subindo a Comendador Araújo, o congestionamento, em pleno sábado pela manhã, era de tirar a paciência até do mais zen dos ciclistas. Mas sem problemas, quem tá de bicicleta fica sucê. A filinha indiana em meio aos carros parados é a liberdade sobre pedais.

Depois fomos ter com o prefeito Luciano Ducci. Uma visita surpresa, com direito a serenata comandada pelo Plá e tudo. O Luciano Ducci é um excelente prefeito. Sempre preocupado com a Mobilidade Urbana em nossa cidade. E quando o assunto é bicicleta então, ele não mede esforços para atender as demandas deste modal em nossa cidade, sempre atencioso, não perde uma oportunidade de conversar e ouvir o que os ciclistas reivindicam. Até aceitou conversar com os coordenadores da Cicloiguaçu, isso é mesmo louvável! Não pode passar em branco o fato de que, a prefeitura sob seu comando, está implantando inimagináveis mais que 20 km de ciclovias em Curitiba, nem o mais otimista dos ciclistas poderia sonhar com tamanha estrutura cicloviária. Mas nossa visita gorou. Demos com os burros n’água, ou melhor, as bikes. O prefeito não estava. Deve estar trabalhando muito, inclusive no sábado, afinal, ano que vem tem eleição né!?! Mesmo porque o Gustavo Fruet vem por aí, carregando um considerável cacife eleitoral e a ampla simpatia da Família Curitibana.

Frustrada a amistosa conversa, seguimos para a Boca Maldita, de lá a diáspora, cada um para o seu lado e à tarde tem reunião da Cicloiguaçu, lá na Bicicletaria Cultural, antes um almoço vegetariano que começou às 13 horas.

AVISO AOS PEDALANTES: sábado que vem tem over-drink, os amigos da Bicicletada de Sampa lotaram dois ônibus e estarão a caminho de Curitiba para realizarmos a 4ª Bicicletada SAMPA-CURITIBA. Vamos engrossar o caldo e fazer uma big Bicicletada. Dia 1º de outubro, 10horas, no pátio da reitoria da UFPR.[nggallery id=21]

Estrutura cicloviária em Curitiba: do discurso à prática

Graças ao mesmo Twitter que censura o Wikileaks, recebi uma mensagem do Vitor (@VMagliocco) que me indicando o link para uma reportagem da RPC.

“Corte de 99% para ciclovias emperra melhoria do sistema. O investimento inicial era de R$ 2 milhões, passou para R$ 26 mil. E até agora nenhum real foi utilizado”.

Simples, curta, consubstanciada por documentos oficiais, cujas fontes estão na internet para qualquer um ver; a reportagem trata a questão do uso da bicicleta com a seriedade de quem reconhece nela um legítimo e indispensável meio de transporte para nossa cidade. O uso das canaletas (vias exclusivas para ônibus) por ciclistas que, conforme narra um entrevistado é menos perigosa que as congestionadas e nervosas ruas de Curitiba. Os mais de 100 km de ciclovias que, interligando parques, não servem em sua maioria ao deslocamento casa-trabalho-escola. E claro a vedete maior em pauta: a aplicação de nenhum centavo de real dos mais de R$ 2,2 milhões orçados para a implantação e revitalização de infraestrutura cicloviária do município. Belo trabalho dos jornalistas José Vianna e Alex Barbosa.

Enquanto na Malásia, em seu discurso na 2ª Conferência de Cidades Sustentáveis de Classe Mundial que ocorreu no dia 19 de outubro, o prefeito Luciano Ducci fala que a “cidade pode se transformar enquanto cresce e ser ainda melhor por meio de políticas públicas que se sustentam“. Depois, mencionando as ciclovias da cidade: “Pioneira no Brasil na implantação de ciclovias, Curitiba tem hoje mais de cem quilômetros de vias destinadas ao uso dos ciclistas, interligando os parques“. Sugiro a leitura da íntegra do discurso, pois é interessante observar que, o que se fala lá fora, pode não ser tão grandiloquente quanto o que a gente vive aqui na cidade.

O interessante é perceber a sinuosidade entre o discurso e a prática. Lá nos idos de 2008 o vereador líder do prefeito Beto Richa na Câmara de Vereadores, demonstrando conhecimento de causa, apresentando dados estatísticos defendia, em nome do então prefeito, a implantação de ciclovias e ciclofaixas. No entanto o “defensor dos ciclistas” é o mesmo que vota pelo corte dos orçamentos para a infraestrutura cicloviária. Vejam aqui como é deveras entusiasmante o discurso do edil.

O curioso é perceber que existe uma grande leva de vereadores que defendem o uso da bicicleta e a construção de ciclovias e um prefeito que discursa bonito em nome da sustentabilidade. Porém, o que acontece em nossa cidade onde as boas intenções daqueles que tem a condição e a competência para decidir e realizar acabam não indo além dos discursos? Como interpretar este comportamento? Por que as promessas não se tornam realizações, por que o Orçamento é previsto e não é executado?